
por Jhennyfer Christine Brito Menezes
A Avaliação Psicológica nas organizações constitui um campo essencial para a compreensão de fatores individuais que influenciam o desempenho, o comportamento e o bem-estar no ambiente de trabalho. Este artigo discute as práticas atuais de Avaliação Psicológica no contexto organizacional, fundamentando-se na literatura brasileira, nas diretrizes do Conselho Federal de Psicologia e na obra de Pereira e Bandeira (2017). Destaca-se o papel do psicólogo na condução ética e técnica dos processos avaliativos, considerando instrumentos, critérios psicométricos e a importância da interpretação contextualizada. Conclui-se que a Avaliação Psicológica, quando conduzida de acordo com normas éticas e científicas, contribui para decisões organizacionais mais precisas e humanas.
A Avaliação Psicológica no contexto organizacional
A Avaliação Psicológica é compreendida como um processo técnico-científico que envolve a investigação de aspectos psicológicos relevantes ao funcionamento humano, utilizando métodos e instrumentos próprios da Psicologia (Hutz et al., 2016). No contexto organizacional, esse processo assume papel estratégico, auxiliando na tomada de decisões relativas a seleção, promoção, desenvolvimento e saúde ocupacional.
Segundo Pereira e Bandeira (2017), a Avaliação Psicológica nas organizações deve considerar características pessoais, competências profissionais e aspectos contextuais do ambiente de trabalho. Para que o processo seja conduzido de forma ética, a Resolução n. 31/2022 do Conselho Federal de Psicologia estabelece diretrizes quanto à responsabilidade técnica, ao uso de instrumentos aprovados e à segurança das informações.
A Avaliação Psicológica pode ser utilizada em processos como recrutamento e seleção, avaliação de potencial, programas de desenvolvimento e gestão de clima organizacional (Pereira & Bandeira, 2017). O psicólogo deve analisar tanto o perfil individual quanto a cultura, bem como as demandas da organização.
A escolha de instrumentos deve ser fundamentada em critérios psicométricos, garantindo validade e precisão (Hutz et al., 2016). A Resolução n. 31/2022 estabelece que somente testes aprovados no Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI) podem ser utilizados, assegurando qualidade técnica e ética no processo avaliativo.
Dimensões éticas e responsabilidade profissional
A prática avaliativa exige compromisso ético desde a obtenção do consentimento informado até a devolutiva dos resultados. A confidencialidade deve ser assegurada, bem como o uso responsável das informações para evitar interpretações inadequadas ou discriminatórias. Conforme Pereira e Bandeira (2017), o psicólogo deve dominar tanto os aspectos técnicos quanto o impacto social de sua atuação no contexto organizacional.
Considerações finais
Conclui-se que a Avaliação Psicológica nas organizações é um recurso essencial para processos de gestão de pessoas, desde que realizada de acordo com princípios científicos e éticos. O psicólogo deve manter formação contínua, utilizar instrumentos validados e respeitar a dignidade da pessoa avaliada, conforme orienta a Resolução n. 31/2022.

Sobre a autora
Jhennyfer Christine Brito Menezes é Psicóloga Clínica (CRP 10/6557). Especialista em Avaliação Psicológica, Psicopatologia e Psicoterapias Baseadas em Evidências: Terapias Cognitivo-Comportamentais.
Referências
Brasil. (2022). Conselho Federal de Psicologia. Resolução n. 31, de 15 de dezembro de 2022. Estabelece diretrizes para a realização de Avaliação Psicológica no exercício profissional da psicóloga e do psicólogo, regulamenta o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI) e revoga a Resolução CFP n. 9/2018. Diário Oficial da União. https://www.normasbrasil.com.br/norma/resolucao-31-2022_473938.html
Hutz, C. S. et al. (2016). Psicodiagnóstico. Artmed.
Pereira, D. F., & Bandeira, D. R. (2017). Aspectos Práticos da Avaliação Psicológica nas Organizações. Vetor Editora.

