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O que diferencia uma avaliação neuropsicológica das demais avaliações psicológicas?
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O que diferencia uma avaliação neuropsicológica das demais avaliações psicológicas?

Avaliação neuropsicológica, o que a diferenciadas das demais avaliações psicológicas?

por Dra. Ana Vera Niquerito Bozza

 

A Avaliação Psicológica é definida como um processo estruturado de investigação de fenômenos psicológicos, bem como composto de métodos, técnicas e instrumentos, com o objetivo de prover informações à tomada de decisão, no âmbito individual, grupal ou institucional, com base em demandas, condições e finalidades específicas (artigo 1º da Resolução n. 9, de 25 de abril de 2018).

Assim, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) define que toda a avaliação realizada pelo profissional psicólogo é considerada “Avaliação Psicológica”; esta pode apresentar diversos objetivos: avaliação como processo de psicodiagnóstico, orientação profissional, descrição de personalidade, para fins jurídicos, mapeamento do funcionamento cognitivo, multiprofissional, visando à obtenção de CNH, no contexto organizacional, hospitalar, escolar, para fins de Avaliação Neuropsicológica, etc.

A Neuropsicologia é a ciência que relaciona a atividade do sistema nervoso ao funcionamento psicológico, tanto em condições normais quanto em condições patológicas. Desse modo, a avaliação neuropsicológica é um exame que tem como objetivo mensurar e descrever o perfil de desempenho cognitivo, emocional, comportamental e contextual, avaliando suspeitas de alterações cognitivas que podem ser decorrentes de desordens neurológicas, comportamentais ou emocionais.

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Segundo Antunes, Júlio-Costa e Malloy-Diniz (2018), “é importante ressaltar que a avaliação neuropsicológica vai além de identificar quadros nosológicos e fatores de vulnerabilidade para transtornos psiquiátricos e de neurodesenvolvimento”.

Dessa forma, entende-se que é caracterizada por um processo amplo e complexo, que tem por objetivo, além de obter os resultados das testagem e rastreio do funcionamento cognitivo, também valorizar as informações advindas do histórico de vida e sua funcionalidade no contexto em que o avaliando está inserido, e com base nas informações obtidas e do raciocínio clínico em neuropsicologia, será capaz de promover condutas para encaminhamentos e intervenções.

 

Diagnóstico

O Diagnóstico não deve simplesmente focar-se na aplicação dos instrumentos, nas atividades realizadas com sucesso ou não e nos desempenhos obtidos, que muitas vezes fazem parte dos critérios de diagnósticos, mas também na qualidade dessa realização (Luria, 1981). Mapear pontos fortes e fracos de todo funcionamento neurocognitivo, verificando as funções comprometidas e preservadas, é fundamental para o planejamento da reabilitação.

É importante que os profissionais adquiram expertise e sejam capacitados para a realização de raciocínio clínico avançado e que desempenhem adequado manejo para integrar os resultados da avaliação qualitativa e quantitativa, bem como a interpretação neuropsicológica. São exigidos  um olhar clínico e conhecimento de causa sobre as queixas ou hipóteses já formuladas para cada caso.

No processo de avaliação neuropsicológica, utiliza-se de técnicas de entrevista neuropsicológica e de exames quantitativos e qualitativos das funções que compõem a cognição.

Inicialmente são levantadas as hipóteses com base em informações coletadas  por meio de entrevista com paciente e/ou responsáveis (sejam os pais/responsáveis, no caso de crianças e adolescentes, ou cônjuge e/ou filhos, no caso de adultos e/ou idosos), promovendo-se visita escolar e análise de diagnósticos de outros profissionais (neurologista, psiquiatra, fonoaudiólogo, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, etc.). Geralmente, inicia-se com uma bateria básica de testes que avalia as principais áreas do funcionamento cognitivo.

Nesse procedimento, são investigadas possíveis alterações referentes a maturação e neurodesenvolvimento, funcionamento intelectual; atenção; processamento visuoespacial; memória; visuocontrução, linguagem; cálculos; funções executivas; pensamento; cognição social, comportamento e emoções.

De acordo com as necessidades, são utilizados instrumentos mais específicos ou refinados, de acordo com o motivo do encaminhamento e com os resultados parciais no processo avaliativo.

O público para avaliação neuropsicológica é bastante amplo, envolvendo todas as faixas etárias e diversas queixas.

 

As queixas

Normalmente as queixas de crianças estão relacionadas ao comportamento e/ou desenvolvimento atípico (com atrasos), a dificuldades atencionais, escolares na linguagem, memória, compreensão, etc.

Já os jovens e adultos procuram o atendimento devido a problemas de concentração, memória, dificuldades de estudar para concursos, vestibulares, e também por conta de lesões causadas por traumatismos cranioencefálicos, acidentes vasculares, entre outros.

Os idosos, geralmente, são encaminhados por geriatras ou neurologistas, que solicitam a avaliação para contribuir com o diagnóstico diferencial do paciente (ex.: demência, depressão, etc.).

Assim, após a avaliação, são propostos programas de reabilitação neuropsicológica com o objetivo de desenvolver as habilidades do paciente. Neste processo, são utilizadas estratégias de intervenção, ministrando-se orientações para os pais/cuidadores/familiares.

 

Autora: Dra. Ana Vera Niquerito Bozza

Psicóloga e Neuropsicóloga Clínica, Doutora em Ciências (HRAC/USP) e Especialista em Neuropsicologia (IPAF/SP). Atualmente cursa Master em Psicologia infantil e juvenil pelo Madrid Institute of Contextual Psychology (MICPSY) em Madrid/Espanha. Atende em consultório particular e dedica-se à docência em programas de graduação, pós-graduação e cursos no Brasil.

 

Referências Bibliográficas

Antunes, A. M., Júlio-Costa, A., Mallý-Diniz, L. F. (2019). Como Explorar a queixa clínica na avaliação neuropsicológica de pré escolares? In A. G. Seabra & N. M. Conselho Federal de Psicologia [CFP] (2018). Resolução do Exercício Profissional n. 09/2018. Recuperado de https://atosoficiais.com.br/lei/avaliacao-psicologica-cfp?origin=instituicao

Dias, Intervenção neuropsicológica infantil: Da estimulação precoce-preventiva à reabilitação (Coleção Neuropsicologia na Prática Clínica, 424 p.). São Paulo, SP: Ed. Pearson Clinical.

Engelhardt, E., Rozenthal, M., & Laks, J. (1996). Neuropsicologia VII – Atenção. Aspectos neuropsicológicos. Rev Bras Neurol, 32(3), 101-6.

Gazzaniga, M. S., Ivry, R. B., & Mangun, G. R. (2006). Neurociência cognitiva: a biologia da mente. São Paulo, SP: Artmed.

Lent R. (2010). Cem bilhões de neurônios: conceitos fundamentais da neurociência (2ª ed.). São Paulo, SP: Atheneu.

Rodrigues, S. D, Azoni, C. A. S., & Ciasca, S. M. (2014). Transtornos do desenvolvimento (pp. 181-201). Ribeirão Preto, SP: Book Toy.

Luria, A. R. (1981). Fundamentos de neuropsicologia. São Paulo, SP: EDUSP.

Strauss, E. Sherman, E. M. S., Spreen O. (2006). A Compendium of neuropsychological tests: administration, norms, and commentary (3rd ed., pp. 916-22). New York, NY: Oxford University Press.

 

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