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As 10 soft skills mais relevantes para um mercado jurídico pós-pandemia

por Renato Sapiro

Grupo de três pessoas em torno de uma mesa e realizando anotações em blocos de notas.

As soft skills ou competências socioemocionais fazem parte há um tempo considerável do vocabulário corporativo brasileiro. O que mudou, então? A sua relevância. Estas habilidades pessoais com impactos profissionais, antes relegadas devido à importância dada às hard skills (competências técnicas), agora me parecem ter se sobreposto a elas.

Com a pandemia do novo coronavírus, tenho a sensação de que essa cisão se aprofundou, visto que estas novas habilidades já tão requeridas para os recrutadores, tiveram as suas solicitações intensificadas em tempos de confinamento.

E acredito que será este o padrão do Novo Normal.

Isso fica claro na frase que li recentemente do professor Scott Galloway, professor clínico de marketing na Escola de Negócios Stern da Universidade de Nova York: “A covid-19 não transformou nada. Ela apenas acelerou”.

A frase encontra significado, principalmente, quando você a combina com informações do Top Trends Report do World Economic Forum de 2018, que dizia que 53% das empresas investiriam em tecnologias relevantes para incremento da produtividade e 50% reduziriam a força de trabalho pela automatização de tarefas nos próximos anos.

A vida real dos anos 2020 segue a mesma trilha: empresas investem cada vez mais em tecnologia e, consequentemente, reduzem sua força de trabalho.

Tenho para mim que o conhecimento técnico não é mais suficiente (e não é de agora). O que diferenciará os profissionais e o que manterá os seus empregos ante o avanço da tecnologia são as soft skills.

É importante destacar, contudo, que cada profissão tem as suas características peculiares, por isso, exige competências distintas.

E quais seriam as habilidades necessárias no Mercado Jurídico da terceira década do terceiro milênio? O que será exigido dos advogados, especialmente no pós-pandemia?

 

10 soft skills

Elenco aqui 10 soft skills que entendo que farão com que os advogados não só se adaptem aos novos tempos, como saiam na frente junto a pessoas e processos: gestão de tempo, adaptabilidade, networking, criatividade, comunicação assertiva, trabalhar em equipe, empatia, conhecimento de ferramentas disponíveis, capacidade de delegar e gestão de projetos.

Gerir o tempo sempre foi fundamental, contudo, em tempos de covid-19 e com a necessidade do home office, tornou-se imprescindível, visto que, sem essa administração, a entrega será seriamente comprometida.

Como as mudanças serão mais rápidas e constantes daqui para frente, a adaptabilidade resume bem como estamos hoje e o que iremos viver. Quem não aprender a se adaptar estará fadado ao insucesso.

O networking ou o trabalho da rede de relacionamento, por sua vez, sempre teve a sua importância. Sem ele, é difícil ir além, pois o relacionamento dá o impulso para nos levar mais longe. E, no final do dia, é isso que interessa.

A criatividade é um skill essencial em certas profissões, especialmente, para aquelas que envolvem algum tipo de criação, como designers, arquitetos e publicitários. Ela nunca foi tão importante para o advogado, que agora precisa se reinventar e pensar em novas soluções – estas naturalmente criativas.

A comunicação, que das habilidades citadas certamente é a mais ambígua (tão antiga e atual, tão simples e complexa), agora vem acompanhada da assertividade, fundamental para atingir os objetivos almejados. O advogado que sempre precisou saber se comunicar, agora necessita ser assertivo e ajustar a comunicação a cada situação, valendo-se de novas ferramentas e tecnologias.

Saber trabalhar em equipe demonstra flexibilidade, habilidade de lidar com perfis distintos, e gera implicações como um maior aprendizado e um bom ambiente de trabalho. Essa é, portanto, uma capacidade fundamental para os advogados, visto que costumeiramente trabalham por horas a fio.

Empatia, dentre todas as soft skills mencionadas, possivelmente é a que está mais em alta, e não é de agora; naturalmente que, em tempos de covid-19, sua importância cresce. Ela é uma habilidade inerente a todas as profissões e vou além: todos os seres humanos deveriam ter. Entretanto, muitos a confundem. Essa habilidade é vista como ter sinergia ou mesmo simpatia por/com alguém. Na verdade, não tem qualquer relação. Empatia é saber se colocar no lugar do outro, e sabemos que não é fácil.

Daí a sua relevância.
Ter o conhecimento das novas ferramentas é o básico em um mundo onde a tecnologia é atualizada a cada segundo. É preciso buscar novas e rápidas soluções ou o profissional será engolido.

Essa é uma importante habilidade para o profissional do Direito, uma vez que as escolas/universidades, salvo raras exceções, possuem o mesmo formato de ensino há muitos anos, não acompanhando a clara mudança em que vivemos – cada vez mais veloz.

A capacidade de delegar parece uma competência simples, não? Os advogados, todavia, em geral têm grande dificuldade de delegar, uma vez que possuem perfis centralizadores.

Quem assistiu a algum dos episódios da série Suits (Netflix), que apresenta a rotina de um grande escritório de advocacia americano, percebe a dificuldade dos profissionais sêniores em delegar os trabalhos para os associados mais juniores.

A delegação de tarefas permite o aprendizado, desafoga a gestão e dinamiza a entrega dos trabalhos.

Por fim, e não menos importante, está a gestão de projetos, que é um resumo de tudo que falamos até aqui, e que engloba todas as outras nove soft skills mencionadas.

Gerir projetos é administrar o tempo, equipe, trabalho técnico, aplicando metodologia e permitindo a fluidez dos trabalhos em todos os níveis hierárquicos e áreas envolvidas.

As mudanças serão cada vez mais rápidas e intensas, portanto, esteja pronto para o futuro.

*Escrito por Renato Sapiro, advogado, fundador e headhunter na Sapiro e Associados e cofundador na Re_Invent Legal.

 

Publicado originalmente em 10 de junho de 2020
Estadão Blogs – Fausto Macedo – repórter.

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