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Histórias Que Cantam: a Contação Musicalizada na Educação Infantil

 por Karina Vieira e Thaynná Loureiro

Como forma de enriquecer o processo educativo na Educação Infantil, práticas pedagógicas que utilizam a contação de histórias e as histórias musicalizadas se destacam por seu potencial integrativo. Mais do que atividades lúdicas, elas se revelam estratégias significativas para o desenvolvimento integral da criança, uma vez que mobilizam linguagem, afetividade, escuta e expressão. Ao envolver os corpos, os movimentos, as emoções e a imaginação, esse dispositivo proporciona experiências educativas que vão além do entretenimento, promovendo uma aprendizagem sensível e transformadora.

A leitura de A Vida Não é Útil, de Ailton Krenak, possibilita uma reflexão sobre a importância do compartilhamento coletivo. Nesse sentido, adotamos a contação de histórias como uma prática ancestral, que conecta as crianças ao imaginário coletivo e à construção de sentidos sobre a vida e o mundo ao seu redor. Ao serem convidadas a ouvir narrativas, elas ampliam sua compreensão de si mesmas e dos outros, enriquecem seu vocabulário, desenvolvem a atenção e aprendem a organizar pensamentos, além de estabelecer relações entre ideias. Dessa forma, a prática regular da contação de histórias favorece o desenvolvimento da linguagem oral e das competências narrativas, essenciais para a futura alfabetização (Santos & Silva, 2019).

Além das narrativas, a musicalização surge como uma estratégia integrativa que enriquece a experiência educativa, favorecendo outros aspectos do desenvolvimento infantil. A combinação de ritmo, melodia, entonação e gestos torna o momento mais envolvente, oferecendo novas possibilidades de construção de sentido. Nesse contexto, a história cantada ou narrada com elementos musicais ativa diferentes formas de aprendizagem e expressão (Rocha & Fernandes, 2021), especialmente quando associadas aos movimentos corporais.

Assim, a integração entre palavra, som e movimento impacta diretamente o desenvolvimento motor e expressivo das crianças, favorecendo a aquisição do senso rítmico e da capacidade de expressão emocional (Costa & Freitas, 2022). Esses aspectos são fundamentais para o processo de ensino-aprendizagem, estando em consonância com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que valoriza práticas voltadas para a escuta, a oralidade e o protagonismo infantil (Brasil, 2018). Além disso, essas práticas reforçam o vínculo com a arte e a cultura, promovendo a fruição estética e permitindo que as crianças experimentem a beleza, a criatividade e a sensibilidade em suas vivências educativas.

Outro aspecto relevante dessa prática está relacionado ao seu potencial inclusivo. Ao oferecer múltiplas formas de acesso ao conhecimento — auditiva, visual e corporal —, há promoção de um ambiente de aprendizado acolhedor, no qual distintas crianças encontram maneiras de se expressar e compreender os conteúdos. Essa abordagem valoriza a diversidade, permitindo que crianças com diferentes habilidades e necessidades participem ativamente das atividades (Vieira & Chagas, 2021). Dessa maneira, a contação de histórias e as histórias musicalizadas não apenas enriquecem o processo educativo, mas também fortalecem a inclusão e o respeito entre o grupo.

Por fim, ao integrar palavras e canções, ampliam-se as possibilidades de aprendizagem, criando experiências que fortalecem vínculos e desenvolvem competências essenciais na infância. Essas práticas promovem uma educação em que as crianças são reconhecidas como sujeitos ativos e protagonistas, participando de maneira significativa e expressiva do processo educativo.

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Sobre as autoras

Karina Vieira é formada em Música pela FAMES (Faculdade de Música do Espírito Santo). Atuou como professora de musicalização infantil e atualmente é diretora da produtora cultural Sim Salabim, onde coordena projetos voltados à educação musical e produção de eventos culturais, incentivando o acesso à arte e à cultura para o público infantil.

Thaynná Loureiro é psicóloga e mestranda em Psicologia Institucional. Atua como coordenadora de projetos na produtora cultural Sim Salabim.

Referências

Amorim, D. A. (2021). A contação de histórias como prática pedagógica na Educação Infantil. Revista Primeira Evolução, 1(20), 31–38.
Brasil. (2018). Base Nacional Comum Curricular (BNCC). MEC.
Costa, L.; Freitas, G. (2022). Histórias que cantam: a musicalização como ferramenta na contação de histórias na Educação Infantil. Revista Educação e Linguagens, 11(22).
Krenak, A. (2020). A vida não é útil. Companhia das Letras.
Rocha, V.; Fernandes, J. (2021). A musicalização como prática pedagógica na Educação Infantil: entre histórias e canções. Revista Vozes dos Vales, 10(2), 1–15.
Santos, A. P.; Silva, J. P. S. (2019). A contação de histórias como ferramenta didática na Educação Infantil. Boletim de Conjuntura (BOCA), 1(Especial), 41–51.
Vieira, L. A.; Chagas, G. F. S. (2021). A contação de histórias combinada aos princípios do Desenho Universal para Aprendizagem: uma prática inclusiva na Educação Infantil. Revista Educação Pública, 25(5).

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