
por Sonia Regina Baptista Cepellos
Organizada por Samantha de Toledo Martins Boehs e Aline Jacinto, essa obra é indicada tanto a profissionais que atuam em organizações privadas, públicas e não governamentais quanto a leitores de diferentes áreas interessados em temas relacionados à diversidade e inclusão (D&I) no mercado de trabalho. A abordagem contempla fatores como faixa etária, deficiências, gênero, éticas e raça, oferecendo reflexões e práticas que ampliam o debate sobre ambientes mais equitativos e inclusivos.
No 1º capítulo, “Gestão da diversidade: conceitos fundamentais para pessoas e organizações”, Aline Jacinto e Samantha de Toledo Martins Boehs trazem à tona os conceitos fundamentais da diversidade no mercado de trabalho – inclusão, equidade, preconceito, discriminação, interseccionalidade e viés inconsciente – cujo conhecimento é essencial ao embasamento e à clara compreensão das estratégias e práticas de D&I implementadas nas organizações. O capítulo enfatiza a relevância da criação de políticas voltadas à gestão da diversidade, destacando seus benefícios éticos, sociais e estratégicos para os negócios, e reforça a necessidade de transformar o discurso em ações concretas e eficazes. Como exemplo prático, são oferecidas sugestões para a implementação de iniciativas de D&I por meio da metodologia 5W2H.
O Capítulo 2, intitulado “Gerações diversas no mercado de trabalho: desafios e benefícios”, versa sobre a inserção, a permanência e a convivência no mercado de trabalho por profissionais de diferentes faixas etárias e gerações. Os autores, Bruno Eduardo Slongo Garcia e Samantha de Toledo Martins Boehs, abordam o conceito de geração, ou seja, grupo de pessoas nascidas em um mesmo período, que compartilham de acontecimentos no decorrer das etapas vivenciadas e passíveis de influência com relação a crenças e valores. Para manter um ambiente de trabalho produtivo e saudável, é importante compreender as particularidades que envolvem cada geração no que diz respeito ao contexto organizacional, mas também endereçar essas diferenças no ambiente de trabalho, a fim de controlar o nível de conflitos, fortalecer as habilidades e valorizar os talentos, ao que os autores apresentam uma proposta de intervenção por meio de uma dinâmica de grupo.
Seguindo a abordagem quanto à inserção e à permanência de profissionais de diversas faixas etárias no mercado, o capítulo 3, nomeado “O estágio e a aprendizagem profissional: a importância da promoção da diversidade e inclusão nas organizações”, de autoria de Andresa Darosci Silva Ribeiro e Lisiane Bueno da Rosa, destaca a repercussão dessa temática, principalmente com relação às primeiras experiências profissionais dos jovens. Em um panorama de desigualdades sociais, projetos como os programas de estágio e a Lei da Aprendizagem Profissional oferecem maiores oportunidades aos jovens de classes vulneráveis, sendo parte de políticas públicas direcionadas à inserção desses jovens no mercado de trabalho, não obstante os demais desafios enfrentados, como preconceitos de gênero, sexo, idade, raça, condição social, entre outros. O capítulo trata da importância da construção de um ambiente organizacional com equidade, abrindo a reflexões do quanto é preciso valorar, promover e gerir a gama de diversidade nas organizações, promovendo desenvolvimento e engajamento. Orientações quanto às legislações dos programas de estágio e de aprendizagem são apresentadas, o que traz ao capítulo sugestões de práticas organizacionais e o caso de uma organização do ramo têxtil.
No capítulo 4, “Mercado de trabalho para profissionais 50+”, Juliana Seidl e Mauro Wainstock apresentam resultados de pesquisas focada em uma população com mais de 50 anos alinhada ao mercado de trabalho, destacando os desafios e preconceitos como o etarismo e revelando a baixa representatividade de profissionais com mais de 50 anos nas organizações. Os autores discutem as políticas públicas federais e o Estatuto da Pessoa Idosa, que, apesar dos avanços alcançados, ainda encontram dificuldades e falta de incentivo à contratação de pessoas com mais de 50 anos. Para ilustrar os diferentes cenários e modelos de práticas de inclusão etária, os autores relatam alguns dos programas mais apreciados por empresas privadas e organizações públicas.
O capítulo 5, “Pessoas com deficiência e mercado de trabalho”, de Isabela Jardim Bonet e Natália Rese, apresenta um breve histórico sobre a trajetória de integração de indivíduos com deficiência. Em 1994, o conceito de inclusão ganhou força com a Declaração de Salamanca, contemplando compromissos na ordem educacional com seus princípios de escola inclusiva, ocasião em que o Brasil avançava com a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho por meio da criação da Lei n. 8.213/1991, a Lei de Cotas, a qual determina que empresas com determinado número de empregados tenham um mínimo percentual de pessoas com deficiência. Desde então, mudanças nas estratégias organizacionais, bem como na vida da pessoa com deficiência, vêm ocorrendo em um processo de adaptação tanto nas atividades quanto nas relações organizacionais, sendo necessário considerar que o leque de deficiências é amplo e que cada pessoa tem suas especificidades. Os autores destacam a apresentação de metodologias inclusivas consideradas pré-requisitos para uma empresa em sua jornada de inclusão.
No capítulo 6, “Processo de inclusão profissional de pessoas neurodivergentes nas organizações”, Marcelo Vitoriano e Rodrigo Assunção Rosa tratam do conceito de neurodiversidade e das principais interpretações para uma melhor compreensão do movimento de promoção de direitos de pessoas neurodivergentes. Enfatiza-se que esse movimento surgiu em torno da comunidade neurodivergente, termo que designa pessoas cujos cérebros funcionam de maneira diferente do que é considerado padrão, incluindo autistas, pessoas com TDAH, dislexia e Síndrome de Tourette, entre outros. Esse grupo, constantemente, encontra obstáculos em razão da falta de conhecimento, tanto em contextos sociais como organizacionais. Dada a necessidade de aprimorar a compreensão da neurodiversidade e torná-la mais inclusiva, o capítulo apresenta, além de sugestões, estratégias de alinhamento das necessidades individuais de neurodivergentes com a realidade organizacional de maneira a obter satisfação mútua, com base na criação de um ambiente inclusivo próspero.
No Capítulo 7, “Mulheres no mercado de trabalho”, Aline Jacinto e Franciele Cristina Barbosa discorrem a respeito do preconceito sofrido pelas mulheres, o qual é considerado o mais antigo dos preconceitos. Além da discriminação de gênero, o capítulo reflete disparidades observadas ao destacar outros estigmas como a distinção entre raça, cor e a própria condição da maternidade e, ainda, vieses relacionados aos estereótipos em determinados cargos. Tais fatores tornam cada vez mais árduo o caminho para a promoção da igualdade.
Em “Carreira e mercado de trabalho para profissionais LGBTQIAPN+”, oitavo capítulo do livro, Samantha de Toledo Martins Boehs e Leandro Corrêa trazem à tona a situação de vulnerabilidade e exclusão vivida pela população LGBTQIAPN+, destacando a barreira que essa população enfrenta para acessar os serviços públicos e o mercado de trabalho formal, exclusão esta que não se limita ao âmbito econômico, mas também civil e social. Essa realidade se choca com os direitos básicos que deveriam ser garantidos a todos os cidadãos, como a dignidade e a possibilidade de sustento pelo trabalho, reforçando a importância de garantir a inserção no mercado como meio de subsistência e exercício da cidadania plena. No capítulo, além de uma breve descrição do significado de cada sigla, são apresentados os dez compromissos do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, criado em 2013 e que atualmente reúne 195 empresas nacionais e multinacionais. Essas organizações atuam na promoção e no incentivo à defesa dos direitos humanos e no mercado de trabalho.
No Capítulo 9, “Transgêneros: desafios sociais e profissionais”, Eduardo Antony Bucco e Natalia Helena Ramos apresentam inicialmente uma breve descrição dos termos relacionados ao contexto da identidade de gênero, descrevendo como a forma que cada pessoa reconhece seu próprio gênero a denominará cisgênero ou transgênero. Assim como referido no capítulo anterior, a presença dos desafios e das barreiras afetam a população transgênero em diversos âmbitos de sua vida, com destaque para o acesso ao mercado de trabalho formal, o que tem impulsionado o fortalecimento de intervenções e os movimentos organizacionais em prol de práticas positivas e adequações para a inclusão.
Em “Equidade racial e mercado de trabalho: enfrentamentos e possibilidades?”, título do décimo capítulo, Lisiane Bueno da Rosa e Aline Jacinto dissertam sobre o racismo, que não obstante os esforços e avanços para sua mitigação, ainda deixa marcas profundas de ordem social e organizacional. Nesse contexto, as desigualdades étnico-raciais continuam a se evidenciar. Os autores discutem a importância do engajamento aos movimentos de incentivo como uma via para transformar esse cenário, como é o caso da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, formada por empresas e instituições comprometidas com a promoção da inclusão racial e a superação do racismo.
No último capítulo da obra, “Migração e gestão da inclusão: desafios e práticas no mercado de trabalho brasileiro”, Suelen Frainer e Jorge José Ramirez-Landaeta abordam o tema da migração, com destaque para a Lei de Migração (Lei n. 13,445/2017) que, apoiada em tratados internacionais, compromete-se com a proteção dos direitos e a promoção da inclusão social. Apesar de viabilizar a legalização dos imigrantes e assegurar-lhes os mesmos direitos trabalhistas dos cidadãos brasileiros, o processo de integração ainda caminha de forma tangencial às necessidades práticas do mercado de trabalho formal, resultando em dificuldades persistentes de acesso, desenvolvimento socioeconômico e inclusão.

Sobre a autora
Sonia Regina Baptista Cepellos é psicóloga formada pela Faculdade de Psicologia, Ciências e Letras São Marcos (SP). É proprietária e diretora da Ômega Livraria & Psicologia Integrada, em Sorocaba-SP.
Referências
Boehs, S. de T. M., & Jacinto, A. (2025). Gestão da diversidade, carreira & mercado de trabalho: estudos e práticas. Vetor Editora.

