
A avaliação psicológica no contexto clínico é o alicerce de qualquer intervenção terapêutica eficaz e ética, servindo como o mapa que guia o tratamento. Na psicologia contemporânea, adota-se o paradigma da Prática Baseada em Evidências (PBE), que exige que o psicodiagnóstico integre a melhor pesquisa disponível com a expertise clínica e as características individuais do paciente (Noronha & Reppold, 2010).
O processo avaliativo permite realizar o diagnóstico diferencial, distinguindo quadros clínicos complexos que podem apresentar sintomas semelhantes, como ansiedade e TDAH. Estudos indicam que um planejamento terapêutico fundamentado em uma avaliação inicial robusta aumenta significativamente as chances de sucesso da psicoterapia, uma vez que permite ao psicólogo selecionar as técnicas mais adequadas para a estrutura de personalidade e as necessidades específicas daquele paciente (Borsa, 2016).
Mais do que apenas coletar dados, a avaliação psicológica moderna pode ser, em si mesma, uma intervenção, conforme propõe o modelo de Avaliação Terapêutica. Nessa abordagem, testes e entrevistas são usados para ajudar o paciente a compreender seus próprios padrões de funcionamento, gerando insights e alívio dos sintomas mesmo antes do início formal da psicoterapia (Giasson et al., 2023).
Para assegurar a precisão desse processo, o psicólogo clínico utiliza uma bateria de instrumentos que podem incluir escalas de sintomas, testes projetivos e provas cognitivas, todos devidamente validados.
A Resolução CFP n. 31/2022 reforça que a escolha desses instrumentos deve considerar o contexto sociocultural do paciente e as qualidades psicométricas dos testes, garantindo que os resultados sejam fidedignos e justos (CFP, 2022).
A formalização dos resultados da avaliação clínica, seja por meio de laudos ou relatórios para outros profissionais de saúde (como psiquiatras), deve seguir rigorosamente a Resolução CFP n. 06/2019. A qualidade desses documentos reflete a competência técnica do psicólogo e protege o paciente, assegurando que as informações sobre sua saúde mental sejam transmitidas com clareza, sigilo e responsabilidade (CFP, 2019).
Em suma, conforme destaca Borsa (2016), a avaliação psicológica clínica é indispensável para a promoção de uma saúde mental de qualidade. Ao unir acolhimento humano e rigor científico, o processo oferece ao paciente uma compreensão profunda de seu sofrimento e caminhos concretos para a mudança, reafirmando, assim, o compromisso ético e social da Psicologia.
Referências
Borsa, J. C. (2016). Considerações sobre a formação e a prática em avaliação psicológica no Brasil. Temas em Psicologia, 24(1), 131–143. https://doi.org/10.9788/TP2016.1-09
Conselho Federal de Psicologia. (2019). Resolução CFP n. 06/2019. https://atosoficiais.com.br/cfp/resolucao-do-exercicio-profissional-n-6-2019
Conselho Federal de Psicologia. (2022). Resolução CFP n. 31/2022. https://atosoficiais.com.br/cfp/resolucao-do-exercicio-profissional-n-31-2022
Giasson, F. F., Ribeiro, L. C., & Cardoso, L. M. (2023). O florir da violeta: Um estudo de caso em avaliação terapêutica. Psicologia: Ciência e Profissão, 43, e244243. https://doi.org/10.1590/1982-3703003244243
Noronha, A. P. P., & Reppold, C. T. (2010). Considerações sobre a avaliação psicológica no Brasil. Psicologia: Ciência e Profissão, 30(spe), 192–201. https://doi.org/10.1590/S1414-98932010000500009


