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Quando a avaliação pede mais de você e do contexto do paciente

Imagem de um iceberg no oceano, visto metade acima e metade abaixo da água, usada como metáfora de uma avaliação que vai além do que aparece na superfície. A pequena parte visível do gelo está associada ao texto “Resultado do teste”, enquanto a grande parte submersa se conecta a três fatores mais profundos: “História do paciente”, “Contexto social” e “Contexto emocional”. A composição sugere que, quando a avaliação exige mais do profissional e do contexto do paciente, o resultado do teste é apenas a parte visível, enquanto os aspectos humanos, sociais e emocionais sustentam a compreensão real do caso.

por Victória Faraj, Psicóloga e Coordenadora Nesplora Brasil

Ao longo da prática clínica, chega um momento em que percebemos que algumas perguntas simplesmente não cabem em um único formato de avaliação.

O paciente pode apresentar desempenho adequado em tarefas estruturadas, seguir regras, responder corretamente e, ainda assim, relatar (ou demonstrar) dificuldades importantes no dia a dia.

Sustentar atenção, lidar com múltiplos estímulos, adaptar-se a mudanças e manter desempenho ao longo do tempo são demandas comuns da vida real, mas nem sempre plenamente captadas por avaliações realizadas em contextos altamente controlados.

É por isso que a neuropsicologia tem avançado, não no sentido de substituir instrumentos clássicos, mas de expandir os contextos avaliativos, integrando materiais de naturezas diferentes — todos com validação científica — para responder melhor às perguntas clínicas.

 

Por que algumas perguntas exigem mais contexto

Nem sempre o que buscamos compreender na avaliação é apenas o resultado final. Em muitos casos, o que importa é observar:

  • como o paciente sustenta o foco;
  • como reage a distrações;
  • como regula o próprio desempenho;
  • como se adapta ao longo de tarefas contínuas.

Esse tipo de observação tende a ser mais difícil quando se utiliza apenas instrumentos altamente estruturados, ainda que essenciais e consolidados.

 

Integração de instrumentos e validade ecológica

Esse movimento de integração dialoga com a discussão sobre validade ecológica, que vem sendo abordada na literatura há décadas. A proposta é ampliar a capacidade da avaliação em representar demandas mais próximas do cotidiano, sem abandonar o rigor metodológico.

Na prática, isso significa reconhecer que:

  • instrumentos clássicos permanecem fundamentais;
  • mas, em alguns casos, podem ser complementados por tarefas com maior complexidade e maior proximidade de situações reais.

 

Realidade virtual como possibilidade complementar

Dentro desse cenário, recursos digitais e ambientes simulados vêm sendo discutidos como possibilidades complementares, justamente por permitirem observar o paciente diante de tarefas dinâmicas, com estímulos concorrentes e demandas sustentadas.

Soluções em realidade virtual, como as desenvolvidas pela Nesplora, têm sido utilizadas com esse objetivo: integrar controle e padronização com tarefas mais contextualizadas, alinhadas às discussões sobre validade ecológica apresentadas na literatura.

 

Uma reflexão necessária

Não se trata de abandonar o que já funciona — mas de somar recursos, integrar contextos e refinar a pergunta clínica para compreender melhor o funcionamento do paciente em situações diversas.

Em muitos casos, uma avaliação mais completa depende menos de “mais testes” e mais de escolhas bem fundamentadas, coerentes com a hipótese clínica e com as demandas reais do paciente.

Sobre a autora

Victória Faraj é Psicóloga (06/198148) pela Universidade Metodista de São Paulo. Consultora de Avaliação Psicológica na Vetor Editora há mais de 6 anos com diversas certificações no uso de diversos instrumentos de avaliação, e outras formações da área. Certificação internacional no Innovation Experience 360º Program. Atual coordenadora da Nesplora no Brasil.

 

Contato:

victoria.fonseca@vetoreditora.com.br
@victoriafaraj.psi

Referências

Chaytor, N., & Schmitter-Edgecombe, M. (2003).
The ecological validity of neuropsychological tests: A review of the literature. Neuropsychology Review, 13(4), 181–197.

Burgess, P. W., Alderman, N., Evans, J., Emslie, H., & Wilson, B. A. (1998).
The ecological validity of tests of executive function. Journal of the International Neuropsychological Society, 4, 547–558.

Sbordone, R. J., & Long, C. J. (1996).
Ecological validity of neuropsychological testing. Boca Raton: CRC Press.

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