
por Larissa Xavier Santana Soares
No primeiro capítulo, intitulado “Apoiando as necessidades sociais e emocionais de alunos superdotados: O impacto da política sobre serviços escolares para estudantes nos Estados Unidos”, o autor destaca que muitas crianças superdotadas passam por estágios de desenvolvimento em momentos diferentes com relação aos colegas da mesma faixa etária. Em razão de seu desenvolvimento intelectual acelerado e complexo, frequentemente apresentam necessidades sociais e econômicas únicas, as quais podem representar desafios especiais para os educadores, que por sua vez podem não estar preparados para apoiar o desenvolvimento e o bem-estar dos superdotados. Reconhecer e atender às necessidades sociais e emocionais dos alunos avançados é essencial para ajudá-los a prosperar acadêmica, emocional e socialmente. Isso requer a colaboração entre educadores, pais, conselheiros e outros profissionais, criando, assim, uma abordagem holística capaz de apoiar o bem-estar e o desenvolvimento dos alunos superdotados.
No capítulo 2, “Explorando as influências da escola e da família no desenvolvimento de adolescentes diversamente superdotados: um estudo retrospectivo em contexto australiano”, esclarece que estabelecem que, para que haja equidade e excelência na escolaridade, todos os jovens australianos devem se tornar alunos bem-sucedidos e confiantes, indivíduos criativos e cidadãos ativos e informados. O primeiro objetivo da Declaração de Aice Springs indica que o governo australiano e os setores escolares devem promover uma cultura de excelência em todas as escolas, apoiando-as para que proporcionem experiência e oportunidades de aprendizagem desafiantes e estimulantes, permitindo a todos os alunos explorar e aproveitar seus dons e talentos, promovendo o aprendizado personalizado que visa atender às capacidades de cada jovem australiano.
O capítulo , “Fontes de desajustamento socioemocional de pessoas superdotadas no contexto polonês”, relata que, na Polônia, compreende-se a superdotação como um potencial intelectual inato manifestado em uma inteligência geral elevada. Capacidades acima da média poderiam se traduzir em relações invulgares, mas nem sempre é assim, uma vez que isso ocorre porque as habilidades apresentam determinado potencial que pode ou não ser aproveitado pelo indivíduo. Se uma pessoa superdotada utiliza seu potencial, isso depende de uma série de fatores, além dos cognitivos, como sua personalidade, a motivação e o ambiente. O principal critério para habilidades acima da média seria o alto Ql, que é atribuído a aproximadamente 16% das pessoas da população geral. A maioria dos pesquisadores estuda pessoas superdotadas que se concentram principalmente em suas qualidades cognitivas e realizações acadêmicas. No entanto, começando com a investigação pioneira de Terman (1925), a questão do ajustamento emocional das pessoas superdotadas tem sido objeto de investigação contínua.
O objetivo do capítulo 4, intitulado “A espera de alunos superdotados em salas regulares no contexto austríaco”, é obter uma visão sobre a experiência de espera em sala de aula regular, para descobrir se esse fenômeno é um problema. O texto aborda em quais situações os alunos têm de esperar durante os cursos regulares, qual é o tempo de espera e o que os alunos sentem nessas situações. Pesquisas mostram que alunos superdotados já conhecem entre 40% e 60% do conteúdo abordado, aprendem rápido, precisam de instruções mínimas e têm excelente memória, o que pode, portanto, gerar longos períodos de espera e, consequentemente, tédio.
O capítulo 5, “Reflexões e desafios na investigação sobre a inteligência emocional em altas habilidades: como otimizar seu desenvolvimento em sala de aula no contexto espanhol”, trata a respeito da utilização dos termos genéticos “dotado” (anglo-saxão), “alto potencial” (francês) e “alta capacidade” (Espanha). Reconhece-se que “superdotado” não se restringe à descrição de indivíduos com faculdades intelectuais extraordinárias. Alunos com alta habilidade em uma área são identificados como capazes de alcançar alto desempenho, ser bem sucedidos e/ou ter alta aptidão potencial em qualquer um dos seguintes domínios: intelectual geral, disciplina escolar, pensamento ou habilidades criativas e produtivas, habilidades sociais, performance artística, habilidades psicomotoras e características emocionais individuais.
O capítulo 6, intitulado “Desenvolvimento socioemocional e autoestima de alunos superdotados: o caso da Eslovénia”, tem como objetivo analisar as abordagens programáticas e legislativas eslovenas referentes à superdotação e ao apoio psicossocial adequado para alguns alunos superdotados, centrando-se no desenvolvimento e na autoimagem positiva. O autor apresenta mecanismos didáticos modernos que visam à renovação do trabalho de (pós) aconselhamento a alunos superdotados, com base no desejo de promover adequadamente sua espera socioemocional e sua autoimagem positiva.
No capítulo 7, “Caracterização socioemocional de alunos com elevadas capacidades intelectuais: contextualização no ambiente educativo português”, ressalta-se a importância crucial, no contexto do sistema educativo português, de que os profissionais da educação compreendam e avaliem a complexidade da dimensão socioemocional desses alunos, promovendo práticas educativas inclusivas e equitativas que atendam às suas necessidades específicas. O desenvolvimento dessas competências requer uma abordagem integrada e sistêmica que envolva educadores, familiares e a comunidade educativa. Estratégias como programas de enriquecimento, tutoria entre pares e adaptações curriculares individualizadas podem promover o desenvolvimento harmonioso dessas competências. Além disso, a avaliação periódica dessas competências permite um acompanhamento contínuo do progresso dos alunos, facilitando a detectação precoce de desequilíbrio e a implementação de intervenções adequadas. A investigação tem demonstrado que, apesar de suas capacidades intelectuais elevadas, esses alunos enfrentam desafios socioemocionais que podem influenciar significativamente seu percurso acadêmico e pessoal. O reconhecimento da singularidade desses alunos implica uma consideração cuidadosa de suas necessidades intra e interpessoais, que devem ser considerados no contexto do sistema educativo.
No capítulo 8, “Desenvolvimento e intervenção social e emocional em estudantes taiwaneses: uma análise baseada no modelo de atenção ao desenvolvimento proativo de Peterson (modelo PPDA)”, demonstra-se Taiwan implementa práticas de educação para superdotados há mais de 50 anos, sendo atualmente um dos países asiáticos com os serviços mais abrangentes nessa área. Entre todos os serviços educacionais para superdotados, a importância de apoio social e emocional é especialmente reconhecida, graças às regulamentações governamentais.
No capítulo 9, “Questões socioemocional de crianças superdotadas no México”, o autor relata que, no México, os serviços para superdotados têm tido pouca importância em um país com um enorme fracasso escolar e políticas que limitam o rastreio e a intervenção de muitos problemas de aprendizagem. Mudanças recentes nas políticas educacionais têm comprometido a eficácia, como a suspensão da testagem universal, a promoção automática nos primeiros quatro anos do ensino fundamental, a redução do investimento em serviços de educação especial e, em fevereiro de 2022, o cancelamento do programa de escola primária em tempo integral que fornecia refeições e uma jornada estendidas para crianças em zonas marginalizadas. Além disso, persistem vários desafios com relacionados à formação e à ausência de práticas consistentes de investigação e avaliação que gerem informações confiáveis sobre o funcionamento e a eficácia das escolas.
O décimo capítulo, intitulado “O desenvolvimento socioemocional de crianças superdotadas no Brasil”, tem como objetivo compreender o desenvolvimento socioemocional de estudantes superdotados e suas implicações educacionais. Ao longo do texto, ressalta-se que o papel da emoção no ensino de pessoas superdotadas é fundamental para despertar seu interesse e desejo em aprender. A implicação entre fatores, sejam eles interpessoais ou ambientais, pode ampliar o risco de crianças superdotadas desenvolverem dificuldades emocionais e sociais, tornando-as mais vulneráveis a fatores que envolvem isolamento social, estigmatização, estresse e ansiedade e ausência de ambiente de suporte adequado às suas necessidades especiais.
O capítulo 11, “Desenvolvimento emocional de pessoas com altas habilidades: revisão global e específica do contexto argentino”, dedica-se à análise da produtividade bibliográfica em estudos locais e globais. O texto explora a abordagem das concepções atuais na definição de altas habilidades, das conceituações relacionadas ao desenvolvimento socioemocional e suas possíveis dificuldades nesse grupo de alunos. São apresentadas as pesquisas e produções teóricas mais recentes em nível local (Argentina), regional (Brasil, Equador e Chile) e, posteriormente, em nível global, com contributos oriundas de estudos realizados em diversos países europeus.

Sobre a autora
Larissa Xavier Santana Soares é estudante de Psicologia na Unibr.

