
por Laura Duarte Mothio
O livro tem como objetivo orientar profissionais e professores que trabalham com o ensino a distância, apresentando métodos e práticas que qualifiquem sua atuação. O modelo EaD ganhou destaque nos últimos anos, o que fez surgir a necessidade de criação de ferramentas e estratégias para garantir não apenas a eficácia do método de ensino, mas a satisfação do aluno e um ambiente de ensino-aprendizagem capaz de desenvolver as competências necessárias e que contribua para a motivação do estudante em seu processo de aprendizagem.
No primeiro capítulo, “Estratégias de aprendizagem: ferramentas impulsionadoras do aprender via tecnologias digitais”, o autor enfatiza a importância de entender as diversas variáveis que impactam o processo de aprendizagem (Abbad et al., 2010). No ensino on-line, é necessário que o aluno desenvolva novas habilidades para produzir melhores resultados. Além disso, é preciso que o estudante possa gerenciar suas próprias atividades e ter autonomia nas tomadas de decisões com relação ao estudo. Para desenvolver essas competências, é necessário contar com estratégias de aprendizagem cognitivas, comportamentais e autorregulares.
As estratégias de aprendizagem podem ser desenvolvidas e treinadas, auxiliando os alunos em seu processo de estudo. Para que o aluno possa desenvolver as estratégias cognitivas de maneira eficaz, é essencial que ele tenha acesso a materiais didáticos de qualidade, alinhados ao seu nível de conhecimento e aos seus objetivo de aprendizagem. Já para as estratégias comportamentais, é fundamental estimular as interações interpessoais mediadas por tecnológicas, tanto de forma síncrona quanto assíncrona, possibilitando meios de comunicação e de aprendizagem colaborativa. Por fim, para as estratégias autorregulatórias, é preciso aplicar técnicas para lidar com o estresse e a ansiedade, propor exercícios, ofertar feedbacks e focar na motivação e nos objetivos do aluno.
O capítulo dois, “A importância dos estilos de aprendizagem dos participantes no planejamento de cursos ofertados a distância”, destaca como a identificação do estilo de aprendizagem do aluno afeta e influencia a efetividade do curso e a disseminação de conhecimentos. O estilo de aprendizagem é definido pelo ambiente, pela forma como a aprendizagem é regulada e pela interação interpessoal. O capítulo apresenta a Escala de Estilos de Aprendizagem (EEA), utilizada para compreender as preferencias do aluno em relação ao ambiente acadêmico, com o objetivo de aperfeiçoar os métodos e as estratégias aplicados na educação a distância.
O método de ensino a distância possibilita não apenas uma adaptação constante das metodologias de ensino, mas também a prática de avaliação do ensino por meio da EEA, o que permite o aperfeiçoamento das ações educacionais EaD.
O capítulo três, “Gestão da permanência: do engajamento ao feedback a professores e planejadores entre o presencial e o digital na educação brasileira”, aborda o desafio da permanência do estudante dentro do modelo de ensino remoto. O modelo de ensino a distância tem um maior índice de evasão se comparado às outras modalidades, o que exige a implementação de programa de gestão de permanência de alunos desde o início do processo seletivo, para garantir que os alunos inscritos em um programa EaD sejam capazes de permanecer até o fim do curso.
Para garantir essa exigência, é preciso promover o sentimento de pertencimento nos estudantes por meio de um ambiente de motivação e incentivo em que os alunos se sintam valorizados e reconhecidos em sua trajetória acadêmica. Garantir a satisfação dos estudantes é essencial para sua permanência. Para isso, é necessário buscar conhecer e entender as opiniões dos alunos, a fim de que se possa garantir um curso de qualidade.
O quarto capitulo, “O ambiente de ensino-aprendizagem e sua influência no desempenho de alunos e professores no ensino on-line”, explica a contribuição em identificar os aspectos do ambiente de ensino-aprendizagem para a dinâmica na relação professor e aluno e a influência sobre os resultados das atividades. No cenário do ensino remoto, o ambiente é formado pela plataforma digital e o local em que o professor e o aluno se encontram. Os fatores externos, como o tempo disponível para se dedicar aos estudos, combinados com os aspectos do indivíduo afetam diretamente os níveis de atenção e desempenho, contribuindo para a evasão dos estudantes e a exaustão dos professores.
Para avaliar o ambiente de ensino-aprendizagem em modelos de educação a distância, foi desenvolvida a Escala de Barreira e Facilitadores em EaD – EBF-EaD (Sales, 2009; Umekawa, 2014; Zerbini & Abbad, 2008). Essa escala possibilita a análise de possíveis obstáculos nesse modelo de ensino e contribui para a tomada de decisões de amenização dos efeitos negativos identificados (Martins, 2016).
O quinto capítulo, “Impacto de ações educacionais ofertadas a distância no desempenho do estudante em contextos de educação e trabalho”, evidencia a constante busca da elaboração de instrumentos de medida das ações educacionais dentro do modelo EaD. A identificação do impacto das atividades de ensino da modalidade EaD no desempenho dos estudos é fundamental, pois é algo que colabora com o desenvolvimento das estratégias de intervenções que visam à melhoria do ensino.
Apesar da crescente demanda do ensino remoto, a tecnologia não garante a aprendizagem, sendo necessário entender qual a eficácia dos métodos utilizados com o auxílio de ferramentas de avaliação para mensurar a efetividade das ações educacionais no modelo EaD (Martins & Zerbini, 2014; Bell et al., 2017). Com base nos resultados das coletas de dados, deve-se investir em melhorias das ações educacionais visando ao aprimoramento do processo de aprendizagem do aluno.
O sexto capítulo, “Mudanças organizacionais e cursos ofertados a distância: uma relação possível?”, destaca as ações de treinamento, desenvolvimento e educação (TD&E) e seu potencial em gerar mudanças organizacionais. Essas ações se estruturam em três etapas: (1) identificação das necessidades de ações instrucionais; (2) planejamento; e (3) execução e avaliação de resultados (Borges-Andrade, 2006). As mudanças são importantes para promover a inovação e garantir vantagem competitiva, elementos essenciais para o crescimento contínuo e podem impulsionar a satisfação dos funcionários e usuários da organização, ajudando a lidar com desafios tecnológicos e situações adversas.
A Escala de Percepção Mudança Organizacional (EPMO) tem como objetivo compreender se houve alterações na organização após o treinamento. A análise do resultado deve conter um resumo dos principais problemas encontrados, indicar os pontos fortes do treinamento e sugerir melhoria em cada aspecto considerado falho.
O sétimo capítulo, “As tecnologias digitais de informação e comunicação no processo de ensino-aprendizagem: relato de experiência”, destaca a importância dos recursos tecnológicos no processo de ensino-aprendizagem, com potencial de transformação e promoção de competências (Bhasin, 2012; Martins & Santos, 2021). As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) têm potencial de inovação em novas formas de aprendizagem. Embora não substituam os indivíduos que as utilizam, contribuem significativamente para o desenvolvimento de competências socioemocionais, como autoconhecimento, autogestão, consciência social, habilidades interpessoais e tomada de decisão responsável (Casel, 2019).
Foram apresentadas três experiências de aplicação das TDIC no processo de ensino-aprendizagem. Os resultados evidenciaram a versatilidade dessas tecnologias, comprovando seu papel fundamental na melhoria dos processos educacionais, na promoção da inclusão e na oferta de recursos adaptados às diversas necessidades do contexto escolar.
O capítulo oito, “Transformação digital: desafios para o trabalho e a educação”, discute os impactos e os desafios da transformação digital para o trabalho e a educação. A tecnologia impacta significativamente diversas áreas, contribuindo para transformações em economia, educação, trabalho e outros aspectos da vida humana. Essa crescente evolução da tecnologia produziu novos modelos de trabalho, algo que demanda profissionais qualificados, especializados e com competências digitais.
O teletrabalho se tornou uma prática emergencial durante a pandemia de Covid-19, contribuindo para mudanças profundas em como as tarefas são executadas e gerando novas demandas de habilidades por parte dos profissionais. Esse modelo de trabalho influencia diretamente o comportamento, as tarefas e a motivação dos trabalhadores, exigindo autodisciplina e desenvolvimento de habilidades socioemocionais. Para uma transição digital eficiente, é preciso desenvolver competências tanto cognitivas quanto socioemocionais, como comunicação, adaptabilidade, resolução de problemas, entre outras.
O capitulo nove, “Legislação da educação a distância e ensino híbrido: uma esteira de acontecimentos entre o presencial e o digital na educação brasileira”, aborda a jornada histórica de modelos escolares alternativos. Com base na regulamentação do art. 80 da LDB, foram ofertados cursos formais na modalidade EaD, abrindo novas possibilidades de ações de ensino. Três decretos principais regulamentaram esse artigo. O primeiro, de 1998, tinha, inicialmente, a metodologia de ensino com base na autoaprendizagem. Já o segundo decreto, de 2005, ampliava a definição de EaD, com destaque na mediação didático-pedagógica. Por fim, o terceiro decreto, promulgado em 2017 e ainda vigente, consolidou a modalidade educacional EaD com a exigência de profissionais qualificados, políticas de acesso e uso de tecnologias de informação e comunicação.
Durante o período em que ocorreu a pandemia de Covid-19, foi necessária uma reformulação temporária na regulamentação da modalidade EaD. As aulas presenciais precisaram ser substituídas por aulas em meios digitais, exigindo uma adaptação ao novo modelo. As práticas EaD foram gradualmente ampliadas e criou-se uma terceira modalidade: o ensino híbrido.

Sobre a autora
Laura Duarte Mothio tem 24 anos, é estudante do 6º semestre de Psicologia e estagiária na Rh Distribuidora.

