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A Revolução das três letras: ESG, os desafios do S a mais complexa das letras

por Edson Dias e Marcelo Saber Bittar.

 

A Revolução das três letras: ESG, os desafios do S a mais complexa das letras

 

Sem sombra de dúvida, tratando-se de ESG, a letra S, que significa Social, é a mais complexa de se trabalhar, e desconfortável, quando falamos de valores, opiniões, ideologias, posicionamentos que demandam mais sensibilidade dos gestores, pois, em muitos casos, são temas que fogem totalmente ao controle das empresas, ou você acredita que a grande maioria das empresas sabe lidar com questões como Gênero, LGBTQIA+, Relações Raciais, PcDs, ou até mesmo estão preocupadas com o avanço das desigualdades sociais, a falta de assistência e equipamentos públicos que atendam populações carentes em seu entorno?

Acredito que a grande maioria passa longe desses temas.

Outra coisa que não é da essência das empresas é se atentar para a diversidade cultural, que se refere aos diferentes costumes de uma sociedade, entre os quais podemos citar: vestimenta, culinária, manifestações religiosas, tradições, entre outros aspectos. O Brasil, por ter um extenso território, apresenta diferenças climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas regiões de forma muito intensa.

Se palavras como ESG estão cada dia mais em evidência, outras também têm permeado o vocabulário de muitos especialistas, e uma das queridinhas é a palavra stakeholders, que, traduzindo, pode ser entendida como público de interesse. Os stakeholders são todas as pessoas ou organizações impactadas ou que podem impactar, positiva ou negativamente, a capacidade de uma empresa executar a sua estratégia e/ou gerar resultados.

Estamos falando dos clientes, dos colaboradores, dos fornecedores, das comunidades, do governo, da sociedade civil e da mídia, todas estas esferas compõem esse ecossistema que orbita ao redor da empresa e são afetados ou afetam suas atividades. Por conta disso, questões de equidade de gênero, direitos trabalhistas, melhores condições de trabalho, benefícios e oportunidades e tantas outras ações são o ponto-chave aos quais as empresas precisam estar atentas para poder ser competitiva, obter resultados financeiros e agregar valor aos seus clientes e parceiros, são pontos de extrema importância e que demandam um olhar especializado.

Pesquisas como as da revista Exame, em parceria com o Instituto Ethos, ou as da Mulheres 360, da McKinsey & Company e tantas outras vêm mostrando que, nos últimos anos, empresas que adotaram práticas ESG têm se destacado, alcançando ótimos resultados, principalmente quando se trata de questões envolvendo a letra S.

Juntamente com os clientes, vemos o aumento da satisfação e a fidelização deles, o surgimento de novos produtos e uma preocupação em melhorar sempre a jornada do cliente até o fechamento das vendas. Já com os colaboradores, público vital de toda instituição, vemos o aumento da produtividade, do engajamento, a retenção dos melhores profissionais, os altos índices de clima organizacional satisfatórios.

Com os fornecedores, ganhos de qualidade e parcerias para crescimento estão entre os benefícios dessa cultura. Outra coisa de extrema importância é o impacto de desenvolvimento socioeconômico que esse olhar agrega às comunidades, pois, ao fazer isso, você pode estar impactando clientes, fornecedores e colaboradores ao seu redor. Percebe o quanto é vantajoso esse processo?

E ainda é possível impactar e ser impactado com o próprio poder público na participação e na formação de políticas públicas para melhoria de todos, e principalmente os mais necessitados; com a sociedade civil, consegue-se uma aproximação maior, um diálogo direto e um maior engajamento social; e na mídia, a valorização da sua marca e valor agregado aos seus serviços e produtos.

Porém, não é só de felicidade, benefícios e oportunidades que as empresas vivem. Infelizmente, a grande maioria tem sofrido por não estar conseguindo se adequar às novas realidades de mercado, sobretudo com a implantação de uma cultura ESG. Além dos riscos da atividade, como de produtos substitutos ou perda de market share (fatia de mercado), queda de produtividade e aumento da rotatividade, existe também restrição de acesso a insumos por parte dos fornecedores. Algo péssimo para se acontecer são sanções e processos judiciais, perda de licença para operar, protestos e boicotes e, por fim, a perda da reputação.

E não pense que por ser uma pequena ou média empresa você está livre de sofrer essas consequências. Gigantes como Carrefour e NuBank sofreram com as redes sociais, em fortes campanhas de boicote e difamação. Vivemos hoje a cultura do cancelamento. Em questão de horas, milhões de pessoas podem estar compartilhando e comentando coisas horríveis sobre sua empresa ou produtos e serviços. Quando você fere a dignidade humana, há um preço a se pagar. Nós não ficamos em cima do muro, e também não compactuamos que somos a geração mimimi.

Acreditamos em uma sociedade mais justa, em que se combata o racismo, a homofobia e o machismo, que mata milhares de mulheres todo ano. Trabalhamos para que empresas incorporem esses princípios ESG para um mundo melhor, ambientes de trabalho saudáveis, livres de assédios, com oportunidade e crescimento para todos. Não é fácil nem simples esse processo, mas é necessário. Em outras palavras, uma empresa que implementa a política de diversidade e adota práticas ESG ganha valor social e torna-se, muitas vezes, referência para consumidores conscientes.

Incluir é equalizar, é comungar, é tornar-se real e tão diverso quanto o diverso.

 

Edson Dias

Cientista social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Teólogo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Experiência na área de pesquisa, articulação e formação de profissionais nas políticas públicas.

Técnico pesquisador nas áreas de Saúde, Saúde Mental, Educação, Assistência Social,Justiça, Sistema Prisional, Pessoa com Deficiência, Relações Raciais, LGBTQIA+, Mulheres, Criança e Adolescente, Idoso, População de Rua e outras. Fundador da PANDHORA Diversidade e Inclusão, consultoria voltada para empresas.

Marcelo Saber Bittar

Cientista social pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Mestre em Economia Social e do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mestre em Políticas Públicas pela Science Po Lyon, na França).

Ampla atuação na área de pesquisa para estratégias de rearranjo de processos e projetos. Técnico responsável pelo centro de referência em pesquisa dos psicólogos do estado de São Paulo. Docente por mais de 25 anos e coordenador de curso. Experiência em implementação de metodologias ativas em universidades. Atualmente atua como consultor e implementador de ESG em empresas.

 

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1 Comment

  1. MAKIR DESTIN

    unidade é a forca . nós podemos conseguir qualquer coisa se nós temos unidade, trabalhamos em equipe ,se tem respeito um por outro dentro, e a comunicação é uma coisa bem legal em trabalha em equipe, próstata atenção também . e o tempo é muito importante na produção.

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