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Avaliação Psicológica Aplicada a Contextos de Vulnerabilidade Psicossocial
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Avaliação Psicológica Aplicada a Contextos de Vulnerabilidade Psicossocial

A obra, intitulada Avaliação Psicológica Aplicada a Contextos de Vulnerabilidade Psicossocial, foi organizada por Juliane Callegaro Borsa e publicada em dezembro de 2019, pela Vetor Editora. Em seus dezenove capítulos, por meio de uma linguagem clara e casos ilustrativos, são expostas diferentes situações e problemáticas, nas quais a avaliação psicológica enquanto processo técnico-científico é de elementar presença.

Desta forma, em seu primeiro capítulo – Avaliação Psicológica com crianças e adolescentes em situação de risco, escrito por Besutti, Anjos, Krindges e Hohendorff, traz considerações da infância e adolescência enquanto período crítico em termos de desenvolvimento humano. Posteriormente, considerando a conceituação e diferença entre risco e vulnerabilidade, os autores mostram a importância de o Psicólogo, enquanto realiza o processo de avaliação psicológica neste público, considerar o contexto social, bem como sua influência na saúde mental do sujeito avaliado, vislumbrando a garantia integral de seus direitos.

No Capítulo 2 – Avaliação de pessoas com deficiência visual – de Lins e Barros, são especificados os cuidados no decorrer do processo de avaliação psicológica no público em questão, havendo a necessidade de investigações pontuais (porém, não simplistas) acerca do desenvolvimento (infância, adolescência e adultez), articulando-as com a Deficiência Visual.

Já no Capítulo 3 – Contextualizando a Avaliação Psicológica de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional, de Albornoz, salienta-se a tecnicidade, capacidade profissional, importância multidisciplinar e cuidado ético necessários para com o processo de avaliação psicológica e seus diferentes objetivos, de modo que não resulte em estigmas ou rotulações das crianças e adolescentes acolhidos, conservando o substrato familiar e de neossignificações (termo visto em Zimerman, 1999) afetivas dos serviços de acolhimento, visando favorecer futuros posicionamentos e tomadas de decisões em prol da integridade deste público.

O Capítulo 4 – Avaliação Psicológica de pacientes gravemente enfermos no contexto hospitalar, de Bolze, Schmidt e Crepaldi, mostra que a avaliação em sua complexidade é abordada por meio de um olhar sistêmico – vislumbrando uma macrovisão acerca do avaliado – envolvendo o contexto institucional, familiar, social e, também, da patologia, juntamente do lugar que esta última reside na subjetividade do paciente e de sua família.

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No quinto capítulo, Avaliação Psicológica de pessoas com transtorno psiquiátrico, de Barroso e Marques, emergem-se cuidados que o psicólogo deve tomar quando realiza a avaliação deste público, de modo que não culmine em conclusões imprecisas ou – quando não, equivocadas. Tal importância é evidenciada nos casos ilustrativos.

Agora, em Avaliação Psicológica em contexto de trabalho confinado, de Faiad e Rodrigues, salienta-se a necessidade de realização da avaliação psicossocial – promulgada por meio da Norma Regulamentadora 33 (NR-33). Apesar de não haver extrema clareza de como tal avaliação deve ser realizada, os autores mostraram que ela segue os princípios éticos e técnicos da avaliação psicológica, cabendo ao profissional ter conhecimento acerca dos fatores de risco, haja vista os psicossociais gerados pelos diferentes trabalhos confinados, fomentando e enriquecendo esta prática.

O capítulo 7, Avaliação Psicológica com famílias em condição de vulnerabilidade social, de Féres-Carneiro, Magalhães e Machado, expõe os cuidados e tateio que o psicólogo deve possuir no momento que avalia uma família – considerando esta como um sistema regido por influências múltiplas (aqueles que a compõem), somados pela realidade social que a cerca. São citados dois instrumentos serventis na avaliação psicológica da família, sendo o instrumento arte-diagnóstico familiar (ADF), utilizado somente para pesquisa, e Entrevista Familiar Estruturada (EFE), favorável pelo SATEPSI.

No Capítulo 8 – Avaliação Psicológica de pessoas não alfabetizadas, de Uehara, Biajoni e Guimarães, tem-se que o processo de avaliação Psicológica neste contexto exige do profissional diferentes olhares e formas de manejo da técnica, dada a existência dos desafios que permeiam a realidade deste público.

O capítulo 9, Avaliação Psicossocial em situações de desastres, de Paranhos e Bertuzzi, mostra que – apesar de a avaliação psicológica, nesse contexto, ter em seu bojo a questão da ética profissional, o seu manejo técnico não envolve, por exemplo, a escolha de técnicas estruturadas, uma vez que o setting não é controlado. Neste momento, o respaldo do fazer psicológico em diretrizes técnicas e científicas faz-se importante, mas sem dispensar a escuta humanizada.

Em Avaliação Psicológica no contexto clínico para mulheres com histórico de violência por parceiro íntimo, de Zamora, Curia e Habigzang, faz-se presente a explicação do manejo da avaliação psicológica, no entanto, orientado à área clínica e com foco nos casos de violência contra a mulher, propendendo a garantia dos direitos deste público.

No Capítulo 11, Processo de avaliação psicológica em serviço de cirurgia bariátrica no contexto da saúde pública, de Moré, Farias e Scherer, existe a preocupação de articular a obesidade e suas comorbidades com a necessidade da atuação multidisciplinar, na qual o psicólogo faz parte. No período pré-operatório, a avaliação psicológica é um processo preponderante para futuras orientações de pacientes que serão ou foram submetidos a esse tipo de cirurgia, subsidiando, por exemplo, o acompanhamento pós-operatório (psicoterapia individual e grupal)

O capítulo 12, intitulado Avaliação psicológica com indivíduos enlutados, de Pallottino, Rezende e Jacobucci, expôs informações que servem como ponto de ancoragem para uma avaliação psicológica, como dados sobre o ente perdido (morte enquanto perda real e desdobramentos simbólicos): grau de parentesco, causa da morte, tipo de morte, tempo transcorrido, etc. Neste processo de avaliação, o campo afetivo também é tonificado, possibilitando resultados que serão a pedra angular de futuras intervenções clínicas, caso essas sejam necessárias.

Em Avaliação psicológica no processo transexualizador: panorama atual, impasses e desafios, de Gonçalves, se tratando da avaliação psicológica, esta – quando aplicada neste contexto, jamais deve diasporizar-se da escuta e acolhimento, e focar-se no viés diagnóstico ou enxergar a transexualidade como um transtorno. É um processo técnico que deve ter seu rigor instaurado, no entanto, considerando o ser humano em sua integralidade e, consequentemente, a sua subjetividade e singularidade de viver a respectiva orientação sexual.

Por sua vez, o capítulo 14 – Avaliação psicológica com migrantes internacionais, de Tashima e Hoersting, enfatiza a importância do rigor técnico-científico da avaliação psicológica – no entanto, com determinados cuidados quando o contexto envolve avaliados migrantes. Os autores discorrem sobre a importância da busca de dados multiculturais, a fim de evitar uma avaliação que desconsidere a formação subjetiva oriunda de uma cultura distinta.

No capítulo 15, Avaliações psicológica e neuropsicológica de queixas de aprendizagem no contexto da rede pública de educação e saúde, Gonçalves, Serafini e Fonseca teceram a importância de um processo de avaliação psicológica e neuropsicológica preciso, sobretudo, tratando-se na diferenciação entre dificuldade e transtorno de aprendizagem.

O capítulo 16, intitulado Avaliação psicológica em casos de suspeita de transtorno do espectro autista, escrito por Seize, em termos de avaliação psicológica e suas diversas ferramentas, expõe um roteiro de entrevista de anamnese, juntamente de outros recursos que podem subsidiar o profissional em seu trabalho. Além disso, destacou-se a importância de esse processo compor uma investigação multidisciplinar, a evitar a imprecisão ou equívoco fomentado pelos ditos “falsos positivos” ou “falsos negativos”.

Em Avaliação psicológica em idosos com suspeita de transtorno neurocognitivo, Holderbaum, Bulcão e Wagner destacaram, sobretudo, a importância da visão multiprofissional mediante à avaliação psicológica desse público, bem como a proteção e vulnerabilidade social dos idosos com comprometimento cognitivo.

No capítulo 18 – Avaliação psicológica de estresse de minorias em lésbicas, gays e bissexuais, de Paveltchuk e Carvalho, a avaliação psicológica de pessoas LGB é enfatizada como um processo que, adjunto às suas técnicas, instrumentos e escuta humanizada, deve abranger todas as variáveis envolvidas, cabendo ao profissional despir-se da heteronormatividade, patologização e senso comum, reconhecendo os possíveis danos da estigmatização para a saúde mental desse público.

Por fim, no capítulo 19, Avaliação Psicológica em pessoas que vivem com HIV e AIDS, de Camargo e Gascón, foram abordados os fatores emocionais e neurocognitivos em pessoas que vivem com HIV. A avaliação psicológica enquanto forma de assistência à saúde, por meio de seus recursos técnicos e instrumentais, proporcionará melhor visibilidade para futuras intervenções no referido contexto.

Destarte, considerando a psicologia enquanto ciência e profissão, percebe-se que, ao trazer em seu escopo os diferentes contextos de vulnerabilidade e problemáticas sociais, a referida obra reverbera o fomento e aprimoramento da atuação profissional no campo da avaliação psicológica. Assim, a leitura deste material é de grande valia para o profissional ou estudante que busca não apenas se aprimorar no assunto, mas também se debruçar frente à garantia total de direitos humanos, bem como exercer a prática de cuidados para com subjetividade humana.

Autor: Carlos Eduardo Bovenzo Filho.
Mini Currículo: Psicólogo pela Universidade Guarulhos (CRP 06/148842). Técnico pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Violência – Psicologia Jurídica (NUPEV-PJ, Universidade Guarulhos). Colaborador do Departamento de Produtos e Pesquisa da Vetor Editora.

 

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