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A Revolução das três letras (ESG): o G aponta o caminho que todos devem seguir

por Edson Dias e Marcelo Saber Bittar.

Pessoas reunidas em uma reunião ao redor de uma mesa quadrada. Em primeiro plano, contorno 3D de gráfico de barras e acima a palavra Governance.

 

Por fim, estamos lançando um olhar sobre a última letra do ESG, a letra G, mais conhecida como Governança Corporativa, que, grosso modo, pode ser entendida como um conjunto de ações que descrevem as responsabilidades e auxiliam a desenhar os processos para tomadas de decisão de uma empresa. Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), no mínimo três áreas são fundamentais para que uma boa governança aconteça, a saber:

Dirigida – por quem as empresas são dirigidas; isso implica saber exatamente quem são os líderes, como eles orientam as ações e estratégias e como agregam lucratividade e valor aos produtos e serviços;

Monitorada – quais são os indicadores que usam, quais tipos de informação são reportadas aos mercados, gestão dos recursos tangíveis e intangíveis;

Incentivada – como são incentivadas as práticas de remuneração, bônus, benefícios e outros.

 

Empresas de todo o mundo começam, realmente, a se preocupar com essas questões. O que antes era como uma caixa preta, ou seja, um lugar intocável, infalível (permitam-me a licença poética), hoje é encarado de maneira oposta pelos empresários mais antenados.

Existe uma exigência do mercado de boas práticas que sinalizem o quanto uma empresa é séria e comprometida, e um exemplo prático disso é quando uma empresa abre uma oferta pública – ou, como é conhecido no mercado financeiro, um IPO – para fazer a abertura de seu capital por diversos motivos, como captar recursos financeiros para financiar novos investimentos da companhia, expansão, fusão ou conquistar novos mercados (internacional), e uma das exigências para essa abertura é a existência de um Conselho Administrativo e, de preferência, com conselheiros independentes.

Hoje, pensando nas questões de diversidade contidas na letra S, a presença de mulheres e pessoas negras é cada vez mais exigida por acionistas e investidores nesses conselhos de administração, bem como a responsabilização pelos atos de impacto ambiental da companhia. Outras questões de extrema importância para boas práticas são transparência e divulgação de informações a todos, principalmente aos stakeholders; seja de forma obrigatória, seja de forma voluntária, cada vez mais incentivada, a empresa se predispõe a divulgar o máximo de informação possível para os acionistas e futuros investidores.

Ter como linha de conduta a equidade e propor um tratamento justo para todos os stakeholders, prestar contas e reduzir as externalidades (consequências não previstas, poluição, gases), reduzir e minimizar impactos, bem como gerar impacto positivo no curto, médio e longo prazos são práticas saudáveis que se esperam das empresas. E o mercado tem mostrado que as empresas com selo ESG estão em crescimento.

Para se ter uma ideia, hoje na B3 (bolsa de valores), o Índice ISE B3 reúne 46 ações de 39 empresas de 15 setores. O valor somado de todas elas é equivalente a R$ 1,8 trilhão em valor de mercado, 38% do total do valor de mercado das companhias com ações negociadas na B3, com base no fechamento de 25 de novembro de 2020.

Nós da Pandhora acreditamos que o patamar de governança deve ser elevado por meio de um canal de comunicação seguro e independente, adotando-se uma postura proativa diante de fraudes, situações não éticas e desvios de conduta. Ter um canal de comunicação seguro e independente para os colaboradores e liderança da empresa é uma iniciativa essencial para fortalecer a governança, o compliance regulatório e a conduta ética no ambiente corporativo, contribuindo para a prevenção e a redução dos impactos provocados por fraudes, corrupção e desvios.

O IBGC lançou uma agenda em 2020 para nortear as práticas a serem incorporadas:

  1. Ética e integridade
  2. Diversidade e inclusão
  3. Questões ambientais e sociais
  4. Inovação e transformação
  5. Transparência e prestação de contas
  6. Conselhos do futuro

A atuação dos líderes na gestão dos impactos ambientais e sociais deve ir além da agenda institucional. É fundamental integrar essas questões ao modelo de negócio e promover a articulação da organização com os diversos setores da sociedade. (IBGC, Agenda Positiva de Governança 2020).

Dessa forma, a tríade aqui discutida ao longo dessas semanas nos sinaliza o correto caminho para um possível melhor futuro do planeta. Para além do ganho, do lucro, da fidelização do consumidor, estamos caminhando para um mundo mais sustentável e socialmente mais justo.
Viva a revolução das três letras ESG!

Edson Dias

Cientista social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Teólogo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Experiência na área de pesquisa, articulação e formação de profissionais nas políticas públicas.

Técnico pesquisador nas áreas de Saúde, Saúde Mental, Educação, Assistência Social,Justiça, Sistema Prisional, Pessoa com Deficiência, Relações Raciais, LGBTQIA+, Mulheres, Criança e Adolescente, Idoso, População de Rua e outras. Fundador da PANDHORA Diversidade e Inclusão, consultoria voltada para empresas.

Marcelo Saber Bittar

Cientista social pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Mestre em Economia Social e do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Mestre em Políticas Públicas pela Science Po Lyon, na França).

Ampla atuação na área de pesquisa para estratégias de rearranjo de processos e projetos. Técnico responsável pelo centro de referência em pesquisa dos psicólogos do estado de São Paulo. Docente por mais de 25 anos e coordenador de curso. Experiência em implementação de metodologias ativas em universidades. Atualmente atua como consultor e implementador de ESG em empresas.

 

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