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Adolescentes necessitarão de ajuda para escolher os itinerários do Ensino Médio

por Regina Anzolch Crestani e Rosane Schotgues Levenfus

Adolescentes necessitarão de ajuda para escolher os itinerários do Ensino MédioCom a homologação do Novo Ensino Médio (Lei n 13.415) de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a partir de 2022, as escolas deverão, necessariamente, oferecer ao menos um dos itinerários formativos. Cada município, deverá ofertar, pelo menos dois destes cinco itinerários:

  1. linguagens e suas tecnologias;
  2. matemática e suas tecnologias;
  3. ciências da natureza e suas tecnologias;
  4. ciências humanas e sociais aplicadas;
  5. formação técnica e profissional.

Adolescentes com idade próximo aos 14 anos escolher, na transição do 9º ano do Ensino Fundamental para Ensino Médio, qual dos itinerários desejam prosseguir. Essa escolha ocorre em um momento bastante precoce do desenvolvimento, conforme apontam as teorias desenvolvimentistas relacionadas à escolha profissional. Não que estejam escolhendo uma profissão (aqueles que cursarem um dos quatro itinerários formativos), mas o ENEM, a partir de então decisivo para o ingresso nas universidades brasileiras, atribuirá peso diferenciado, de acordo com o itinerário escolhido três anos antes da transição para o Ensino Superior.

Essa situação pode se dramática se considerarmos a já elevada evasão no Ensino Superior, por causa da eleição de cursos realizada de maneira equivocada.

Por um lado, temos estudantes bastante jovens necessitando escolher. De outro, temos a escola e sua organização administrativa, que pode contar com prejuízos de todo tipo ao ofertar itinerários que não correspondem aos anseios dos jovens alunos.

Cruzando os resultados de pesquisa realizada com 909 estudantes de todo o Brasil, a partir de um teste de rastreio de interesses pelos itinerários – www.plataformaidem.com.br – com os resultados gerados pela livre escolha de itinerário dos estudantes, as autoras perceberam que apenas 61,7% deles conseguiram escolher adequadamente um itinerário que se relaciona a suas disciplinas preferidas.

preferidas. Além disso, 13,6% não distinguem minimamente o itinerário que mais bem atende seus interesses. Essa margem de erro na escolha, próximo a 40%, ocorre por diversos motivos: as já comentadas precocidade e imaturidade, a falta de informação sobre os itinerários, o desejo de ter aulas com professores admirados, a tendência gregária, que faz muitos priorizem permanecer junto aos melhores amigos em vez de fazer escolhas visando a pessoais, sem perceber a importância de olhar para os reflexos dessa escolha em seu futuro.

Essa informação a respeito do quão errada pode vir a ser a escolha, caso o adolescente seja deixado à própria sorte, é um importante alerta da necessidade de se ofertar um instrumento preventivo.

A escolha equivocada impacta o aluno em desmotivação e rendimento, podendo promover alterações de humor e nos níveis de ansiedade, o que acaba por implicar troca de turma ou de escola, envolvendo toda a sua família. Essa mesma questão, impacta a escola e toda a gestão do Ensino Médio, que previu a distribuição dos alunos em sala de aula, a distribuição da grade curricular, a contratação de professores, a compra de material didático e a dinâmica geral de todo esse processo.

Para atender a essa demanda, as autoras construíram um inventário de rastreio de interesses pelos itinerários, com 240 itens. Os mesmos foram validados quanto ao conteúdo por três professores doutores de universidades federais área de Orientação Vocacional e de Carreira. Após dois estudos-pilotos evidenciando fidedignidade, com valores superiores a 0,806 no alfa de Cronbach, procedeu-se à coleta envolvendo 909 adolescentes, com idades entre 12 e 18 anos, de ambos os sexos, pertencentes à rede particular e à rede pública de ensino, de diferentes regiões do Brasil.

Em estudos psicométricos de validade e fidedignidade, o instrumento foi correlacionado com o teste psicológico AIP – evidência de validade por construtos relacionados e com a concordância entre os itinerários formativos mais pontuados e as disciplinas preferidas dos alunos.

Alcançando os parâmetros científicos adequados para uso profissional, a ferramenta foi disponibilizada no site www.plataformaidem.com.br.

Trata-se de uma plataforma inclusiva, inovadora e robusta, tanto do ponto de vista científico quanto do tecnológico. Atendendo às exigências da União para tecnologia de gestão educacional, a Plataforma IDEM foi aprovada no EDITAL DE CONVOCAÇÃO 25/2018 – SEB, em 02 de abril de 2018 – 2º ciclo da Plataforma Evidências. Em 2021, foi aprovada no Edital de Chamamento Público SEDUC/SP n. 05/2021, para composição do “Guia de Recursos Educacionais Digitais do Estado de São Paulo”.

A Plataforma é um instrumento tecnológico de rastreio fácil, rápido e fidedigno e que entrega aos gestores informações relevantes acerca do montante de alunos interessados por cada itinerário formativo. É possível promover mapeamentos por unidade escolar, regiões, municípios estados.

A ferramenta minimiza a distribuição equivocada dos alunos e torna possível para gestores elenquem, além dos itinerários formativos, os itinerários técnicos que podem vir a ser implementados, totalmente de acordo com os interesses dos alunos de cada região.

Atender a essas expectativas contribui para maior satisfação dos alunos em sala de aula, aumentando o desempenho, inibindo a evasão e economizando verbas destinadas à educação, já que ofertar itinerários de acordo com a demanda, auxilia na previsão de salas de aula, corpo docente, carga horária e material didático realmente necessário.

O rastreio dos interesses é realizado on-line (ou off-line, em áreas sem internet), por meio de login e senha a ser entregue para cada aluno. Pode ser realizado em computadores, tablets e smartphones. O tempo de aplicação previsto é o de um período de aula.

Os administradores autorizados conseguem visualizar, imediatamente após a aplicação, todos os resultados (cada aluno, cada sala de aula, cada escola, cada município de sua rede) imprescindíveis ao planejamento do Novo Ensino Médio.

A plataforma também entrega para a gestão uma ferramenta que facilita a composição da grade curricular e sua distribuição ao longo de todo o Ensino Médio, baseada no resultado fornecido pelos alunos.

Assim, as autoras esperam ter contribuído para minimizar danos e facilitar os processos que emergiram a partir da nova lei.

Referências

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Regina Anzolch Crestani

Psicóloga. Especialista em Pedagogia Gestora pelo Centro Universitário FACVEST. Especialista em Diagnóstico Psicológico pela PUC-RS.

Especialista em Administração de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV – RJ). Aperfeiçoamento em Programa Especial de Formação Pedagógica pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Aperfeiçoamento em Formação em Orientação Profissional pelo Instituto do Ser – SP.

Psicóloga Escolar e Orientadora Profissional há mais de 30 anos. Coordenadora Pedagógica e Gestora Escolar do Colégio João Paulo I – Higienópolis. Sócia-fundadora e integrante da Diretoria por três gestões – ABOP. Coautora da Plataforma IDEM – Itinerários do Ensino Médio.

Rosane Schotgues Levenfus

Psicóloga. Mestre em Psicologia Clínica e Especialista em Neuropsicologia. Diretora da PROJECTO -#Estudos Avançados em Educação e Saúde. Sócia-fundadora e presidente da Associação Brasileira de Orientadores Profissionais (ABOP) nos biênios 2005/7 e 2013/15. Coautora da Plataforma IDEM – Itinerários do Ensino Médio e do teste psicológico AIP – Avaliação dos Interesses Profissionais – Validado pelo Satepsi. Autora e organizadora de diversos livros da área de orientação vocacional e de carreira. http://lattes.cnpq.br/8468057797562392.

 

Coleção TDE II - Teste de Desempenho Escolar 2ª Edição Coleção TDE II - Teste de Desempenho Escolar 2ª EdiçãoColeção TDE II – Teste de Desempenho Escolar 2ª Edição

O TDE II foi desenvolvido utilizando critérios modernos de desenvolvimento de instrumentos de avaliação, ampliando sua abrangência para todos os nove anos do Ensino Fundamental. Pode ser aplicado, tanto em demandas de mapeamento da aprendizagem escolar no desenvolvimento típico quanto no atípico.

A partir desse mapeamento, estratégias promotoras de leitura, de escrita, de raciocínio quantitativo e de cálculos poderão ser mais efetivamente selecionadas e aplicadas tanto no contexto clínico quanto no educacional, tornando o desenvolvimento mais bem-sucedido e diminuindo o impacto no cotidiano de dificuldades ou de transtornos específicos de aprendizagem.

Indicado para Gestores e servidores de Secretarias Municipais Estaduais de Educação, professores das redes pública e privada do Ensino Fundamental, pedagogos, psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos, neurologistas, psiquiatras e neuropsicólogos e pesquisadores de áreas relacionadas à Saúde e à Educação.

Apresenta padrões normativos dos três subtestes para aplicação individual de acordo com o ano escolar e o tipo de escola (pública ou privada), incluindo tempo de execução, assim como padrões normativos para aplicação coletiva dos subtestes de escrita e aritmética do 4º ao 9º ano escolar, de acordo com o tipo de escola (pública ou privada).

O TDE-II foi desenvolvido utilizando critérios modernos de desenvolvimento de instrumentos de avaliação, ampliando sua abrangência para todos os nove anos do Ensino Fundamental.

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