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Resenha: Criatividade em organizações: temas atuais

O livro Criatividade em organizações: temas atuais, de autoria das professoras Gabriela Fabbro Spadari, Tatiana de Cássia Nakano e Maria de Fátima Bruno-Faria, foi lançado no ano de 2019 pela Editora Vetor. A obra tem como objetivo principal apresentar pesquisas e contribuições na área da psicologia organizacional com o enfoque no construto da criatividade, reunido em 13 capítulos.

Os dois primeiros capítulos envolvem aspectos introdutórios acerca da psicologia positiva e da criatividade no contexto organizacional. O primeiro capítulo “Psicologia Positiva e criatividade no ambiente organizacional”, escrito pela primeira organizadora da obra, Gabriela Fabbro Spadari, aborda, de maneira clara, o conceito da criatividade de psicologia positiva por meio de uma retomada histórica dos construtos. Na sequência, a autora faz uma interlocução destes construtos com o contexto organizacional. Já o capítulo dois “Psicologia positiva e criatividade: influência no contexto organizacional e no trabalho”, escrito pela segunda organizadora da obra, Tatiana de Cássia Nakano, apresenta, de forma aprofundada, quais os principais construtos da psicologia positiva que se relacionam com o contexto organizacional, dando ênfase maior ao construto de criatividade. Em continuidade, a autora ainda apresenta os fatores que impedem e que estimulam a expressão criativa no contexto do trabalho.

Os capítulos três e quatro trazem reflexões sobre a produção científica nacional da criatividade nas organizações e sobre a criatividade e inovação no setor público, respectivamente. Ambos possuem como autora a terceira organizadora da obra, Maria de Fátima Bruno-Faria em parceria com diferentes autores por capítulo. O capítulo três “Criatividade nas organizações: um panorama de duas décadas da produção científica nacional” é de autoria: Maria de Fátima Bruno-Faria, Gabriel Orsi-Tinoco, Isabela Sant’Ana Bittencourt da Silva e Rodrigo Freire Lins, e apresenta os resultados de um levantamento bibliográfico retratando as características centrais da produção nacional sobre criatividade no contexto organizacional. Dessa forma, os autores apresentam uma relação de vinte artigos encontrados por área (Administração e Psicologia) e pelos trabalhos apresentados nos três eventos da Anpad, finalizando com uma síntese dos achados. Já o capítulo quatro “Criatividade e inovação no setor público: análise da produção científica nacional” tem como autores: Maria de Fátima Bruno-Faria, Helenice Feijó Carvalho, Harícia Pereira Tiago, Thainá Filgueira Macedo de Souza e Erleson Freire Sobrinho, e infere a escassez de pesquisas sobre criatividade no setor público, apresentando uma análise complementar à proposta no capítulo três. Dessa forma, os autores apresentam os resultados encontrados, enfatizando a criatividade e a inovação de modo específico no setor público, detalhando a natureza das publicações do setor público, dos tipos de inovação e possibilidades de compreensão, finalizando o capítulo com uma síntese do foco de cada pesquisa avaliada.

Somados a este conjunto de capítulos, os três seguintes enfatizam a importância do construto da criatividade em equipes de trabalho (Cap. 5: Criatividade em equipes de trabalho: achados empíricos em estudos nacionais e internacionais – autoria: Paulo Puppin Zandonadi e Maria de Fátima Bruno-Faria), nas principais medidas de criatividade utilizadas no contexto (Cap. 6: Medidas de criatividade no contexto organizacional:  análise das produções nacional e internacional  nos últimos dez anos – autoria: Maria de Fátima Bruno-Faria, Thainá Filgueira Macedo de Souza e  Arthur Rafael Dias dos Santos), bem como no uso de instrumentos informatizados que medem a criatividade (Cap. 7: Instrumentos informatizados de criatividade:  uma perspectiva para as organizações – autoria: Talita Fernanda da Silva e Tatiana de Cássia Nakano).

Em seguida, os capítulos 8 e 9 abordam o construto da criatividade em uma perspectiva prática de compreensão individual e possibilidades de treinamento. O capítulo 8 “Criatividade, autopercepção criativa e sua expressão no contexto organizacional” (autoria: Karina Nalevaiko Rocha e Solange Muglia Wechsler) discorre sobre uma pesquisa empírica a respeito da opinião de colaboradores de uma empresa privada acerca da criatividade, por meio de sua autopercepção criativa. Como conclusão, as autoras argumentam sobre a necessidade de autoconhecimento dos indivíduos acerca de suas habilidades criativas, bem como de esclarecimentos sobre a relação entre criatividade e inovação. Por sua vez, o capítulo nove “Treinamento para a criatividade: análise da literatura, avanços e lacunas” (autoria: Heila Magali da Silva Veiga e Pedro Afonso Cortez) pode contribuir com a conclusão do capítulo anterior, pois apresenta diferentes estratégias e/ou técnicas que podem ser trabalhadas em programas de treinamento no contexto organizacional, a fim de assegurar o desenvolvimento da criatividade. Os autores também discutem a importância de verificar-se a eficácia dos programas de treinamento desenvolvidos, por meio de uma lista de recomendações a esse respeito.

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Os capítulos subsequentes conduzem o leitor a compreender as modificações necessárias nos ambientes de trabalho para que a criatividade seja desenvolvida, bem como envolvem o papel da motivação vinculada ao construto com base em um levantamento de pesquisas na área. Assim, o capítulo 10 “Criatividade, aprendizagem informal ou incidental nas organizações e ações de redesenho no trabalho: o papel dos agentes humanos”, escrito por Ana Claudia Vazquez, Rita Pimenta de Devotto e Wagner de Lara Machado, direciona a leitura sugerindo estratégias de como redesenhar a rotina de trabalho, por meio da criatividade e do comportamento inovador, além de evidenciar possíveis caminhos de estimulação desses dois aspectos, por meio dos processos de aprendizagem na rotina cotidiana nos ambientes organizacionais. Já no capítulo 11, “Motivação e criatividade no ambiente de trabalho”, os autores João Carlos Caselli Messias e Fernando Pessotto vinculam as possíveis relações entre os construtos no contexto organizacional sob diferentes pontos de vista, estando, entre eles, as condições de trabalho e as relações líder-liderado. Também mencionam a escassez de pesquisas brasileiras acerca das relações entre motivação e criatividade no campo da Psicologia Organizacional.

Por fim, os dois últimos capítulos abrangem questões desafiadoras inerentes à temática ao apresentar a criatividade e o papel das mulheres no mercado de trabalho, ou ainda, os desdobramentos de um processo de geração de renda a partir da criatividade. O de número 12 “Mulheres criativas gerentes nas organizações” (autoria: Maria Célia Bruno Mundim e Solange Muglia Wechsler) expressa os possíveis obstáculos e incentivos referentes ao desenvolvimento criativo feminino, os quais perpassam ao tópico seguinte relacionado aos aspectos socioculturais para que a criatividade feminina se manifeste. Concluem evidenciando a necessidade de importantes mudanças sociais para que as desigualdades neste campo possam diminuir. Por último, o capítulo 13 “O futuro no presente da economia criativa da moda: o caso do Projeto FIA (Oficina de Artesãs)” (autoria: Luciana Lima Guilherme e Raquel Viana Gondim) relata sobre o empreendedorismo criativo e inovação, os quais culminam na descrição do projeto FIA que, apesar de muitos desafios, atualmente apresenta resultados positivos por meio da confecção de produtos e reflexões fundamentais acerca da importância de valorizar os processos criativos e o desenvolvimento dos potenciais regionais do país.

De modo geral, o livro “Criatividade em organizações: temas atuais” possibilita ao leitor a compreensão sobre a importância dos estudos de criatividade no contexto organizacional, focando, de modo mais específico, nas contribuições para as áreas de gestão, administração e psicologia, além de disponibilizar estratégias voltadas ao treinamento de habilidades criativas e reflexões no âmbito social. Contempla sumário e apresentação que definem, com clareza, qual o objetivo da obra. A linguagem utilizada pelos autores é acessível e permite uma reflexão entre a teoria e a prática. De modo detalhado, cada capítulo apresenta tópicos que resumem o tema a ser abordado e dirigem o leitor até as considerações finais e necessidades futuras.

Ao final da obra, as organizadoras apresentam um breve resumo dos autores dos capítulos, inferindo a formação, especialidades, filiações e principais interesses. Portanto, faz-se relevante referir que o livro foi organizado por Gabriela Fabbro Spadari, Tatiana de Cássia Nakano e Maria de Fátima Bruno-Faria e publicado pela Editora Vetor em 2019. Gabriela Fabbro Spadari é psicóloga, especialista, mestre e doutoranda em Psicologia, atuante na área da psicologia cognitivo comportamental. Tatiana de Cássia Nakano é psicóloga, mestre, doutora e pós-doutora em psicologia, professora e pesquisadora na área de avaliação psicológica com enfoque em criatividade e Maria de Fátima Bruno-Faria, que é psicóloga, mestre, doutora em psicologia com pós-doutorado em engenharia de produção, atuante na temática da criatividade e inovação no contexto organizacional com enfoque no setor público.

Autoras da resenha: Carolina Rosa Campos, doutora em Psicologia. Possui pós-doutorado pela Universidade São Francisco. Ênfase das pesquisas em Inteligência e Criatividade com enfoque em populações específicas; Priscila Zaia, doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Ênfase das pesquisas em Altas Habilidades/Superdotação, Inteligência e Criatividade.

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