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Psicologia do Trânsito e Transporte
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Psicologia do Trânsito e Transporte

Psicologia do Trânsito e Transporte: Manual do Especialista

A Psicologia do Trânsito e do Transporte estuda os comportamentos e os processos associados aos atores do trânsito e sua interface com outras ciências, assim como as suas relações recíprocas com o meio ambiente, o social e o econômico, considerando as suas peculiaridades. A sua finalidade é construir novos conhecimentos para a reflexão do sistema de trânsito e a melhoria da qualidade de vida de seus participantes.

A união de dezessete estudiosos do tema e de diversas áreas científicas com diferentes percepções sobre o assunto compuseram esta obra em quinze capítulos, subdivididos em quatro partes para facilitar a leitura, em que apresentam temas teóricos e práticos. As contribuições são do Brasil e da Argentina.

Na primeira parte, apresenta a visão geral do trabalho do psicólogo do trânsito e transporte, composta de um capítulo, intitulado Modelo de atuação em psicologia do trânsito e do transporte, Cristo define Psicologia do Trânsito e Transporte e seus interesses, aponta onde e o que fazem os psicólogos do trânsito, descreve um modelo de atuação profissional na visão da psicologia social aplicável e seus três elementos centrais: melhora da qualidade de vida, construção do conhecimento em que trata do papel do especialista, advocacy e colaborativo; utilização/intervenção e os seus conectores, como a definição do problema, escolha do método, analise de um sistema particular, definição do papel, avaliação e interpretação.

Conclui o capítulo integrando o modelo apresentado a outros níveis de atuação – regional, nacional e global – na perspectiva da “visão zero”.

Ainda, oferece questões para discussão e recomendações de leituras de órgãos nacionais e internacionais que discutem o tema, assim como a fonte primária do modelo apresentado no tópico.

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Transporte urbano, acidente de trânsito e políticas públicas são os temas da segunda parte, composta por três tópicos. Na visão de um arquiteto e urbanista, Galindo exibe o Panorama do Transporte e da Mobilidade Humana no Brasil apontando algumas normas e diretrizes para o transporte e mobilidade urbana e humana no Brasil, destaca a necessidade de investimento em transporte público de qualidade. Mostra o panorama político, legal, orçamentário e socioeconômico.

Ainda, qual o panorama percebido pela população conforme pesquisas do Ipea e outros indicadores e o panorama futuro nos quais os estudiosos e gestores devem se debruçar para a construção de uma sociedade segura, com mobilidade urbana e qualidade de vida nas cidades.

Moraes Neto e Aquino, com o tema do terceiro capítulo A mortalidade por acidente de trânsito no Brasil oferece a análise e dados de mortalidade por acidentes de trânsito no mundo e no Brasil, enfatiza as mortes por acidentes de trânsito por sexo, faixa etária e região, ainda, caracteriza a evolução das taxas de mortalidade no período de 1980 a 2015.

Nascimento fecha a segunda parte do livro com o tema bebida alcoólica, direção automotiva e políticas públicas. Por se tratar de um problema de saúde pública o Ministério da Saúde propôs diretrizes para a atenção integral aos usuários de álcool e outras drogas.

Com esse pensar, a autora faz uma narrativa sobre as políticas públicas e o consumo de bebida alcoólica vista como uma droga “legal”, ainda, o percurso das políticas públicas, reflexões sobre o uso de álcool e a direção automotiva.

Conclui o capítulo apontando a importância em refletir sobre os fundamentos e as concepções que fundamentam as políticas públicas e quanto precisam de pesquisas neste tema.

A terceira parte discorre sobre os processos psicológicos e práticas profissionais com contribuições nacionais e internacionais, composta por seis capítulos. Os autores Montes, Tasi e Ledesma, com um olhar argentino, explora a atenção e distração na direção no capítulo cinco.

Os autores apresentam uma visão geral sobre o tema, define quatro tipos de atenção que consideram importantes para o ato de dirigir, a saber, atenção seletiva, atenção sustentada, atenção dividida e atenção executiva.

Ainda, discorrem sobre as distrações e seus efeitos no ato de dirigir, apontam os métodos de pesquisa e avaliação, enfatizando as possibilidades e limitações para fins de pesquisa.

Os simuladores de direção tem sido uma das ferramentas mais utilizadas para avaliação do comportamento do condutor, também as pesquisas com os enfoques observacionais ou naturalísticos no qual permite captar diretamente o comportamento natural do motorista, e ainda, os autorrelatos e os testes de atenção são instrumentos muito utilizados no processo de avaliação psicológica.

A seguir, os autores falam de prevenção das distrações na direção e da conscientização, educação e treinamento, apontando a legislação, a fiscalização, as tecnologias automotivas e modificações no ambiente viário como necessários à prevenção distrativa.

Conclui falando da complexidade do fenômeno e do impacto das distrações no desempenho do motorista. Além disso, ressaltam a importância da avaliação psicológica no contexto da obtenção da Carteira Nacional de Habilitação e da necessidade de metodologias que ofereçam validade ecológica.

Cristo, no capítulo 6, discute o Hábito e comportamento no trânsito: medidas psicológicas e intervenções. O autor analisa o conceito de hábito e de como medir o comportamento habitual e oferece uma síntese dos critérios e medidas psicológicas que avaliam a força do hábito.

Em seguida, descreve como intervir no comportamento habitual e as consequências adversas das políticas públicas para a redução do uso do automóvel e o prognóstico do alcance de seus objetivos.

Conclui o capítulo considerando que o hábito pode ser mais uma ferramenta teórico-prática para enfrentar os desafios da promoção de comportamentos ambientais relevantes no contexto da mobilidade urbana no Brasil.

Saúde, ocupação e trânsito: o caso dos motoristas de táxi é o tema do sétimo capítulo, na visão dos autores argentinos López, Poó e Lesdesma. Apresentam as características do trabalho e riscos para a saúde, destacando os acidentes de trânsito, a violência no local de trabalho, a organização do trabalho, excesso de carga horária, a fadiga e a informalidade laboral.

Ademais, discorre sobre o hábito e cuidado com a saúde, os fatores pessoais e as estratégias individuais de enfrentamento. Assim, descrevem outros fatores que afetam a saúde dos motoristas de táxi e fazem algumas recomendações sobre as características do trabalho e as consequências práticas, pois dirigir táxi implica alta exposição de fatores ocupacionais de risco para a saúde do trabalhador.

A prática do psicólogo em empresa de transporte de passageiros é o tema do oitavo capítulo. Os autores Sandall e Pérez-Nebra apresentam a prática do profissional de psicologia em um grupo empresarial de transporte de grande porte com o foco no cliente, a satisfação do consumidor.

A satisfação do consumidor pode ser compreendida como uma finalidade perseguida tanto pelo consumidor quanto pelas organizações. Para ser analisada a prestação de serviços, os autores fizeram um recorte no tema e descreveram o mapa da jornada do cliente como ponto de partida das ações.

A seguir, apontou métodos e instrumentos utilizados para diagnóstico, intervenção e monitoramento. Para tanto, mostrou o resultado de uma pesquisa realizada em 2016 envolvendo 1.831 clientes que discorreram sobre o desempenho da organização, a qualidade, a pontualidade e a experiência.

Concluem o capítulo afirmando que esta área de atuação profissional é pouco ocupada pelos psicólogos e que empresas que adotam pesquisas de satisfação e aplicam outras medidas do comportamento organizacional criam mercado para uma área da psicologia.

Necessidade de aprendizagem, planejamento instrucional e avaliação de treinamentos: aspectos práticos é o tema do capítulo 9. Meneses coloca que a competitividade e a concorrência têm se destacado como recursos-chave para o sucesso das organizações, assim, apresenta os principais métodos e procedimentos de trabalho relativo às principais atividades no campo da gestão de pessoas.

Mostra os elementos fundamentais, como instrução, treinamento, educação e desenvolvimento de pessoas, após descrever sobre o levantamento de necessidade e o planejamento instrucional: definir objetivos e sequenciar esses objetivos de aprendizagem são importantes para o sucesso do programa.

Ainda, como selecionar as estratégias, meios e recursos didáticos, assim como definir os critérios de verificação da aprendizagem.

O autor oferece o passo a passo para a formalização de um programa institucional e a forma de avaliação de aprendizagem do comportamento no cargo e da avaliação de resultados. Termina o capítulo apontando uma forma de atuação na psicologia organizacional e do trabalho e da administração de recursos humanos.

Com visão sociológica e atuação como consultor de segurança viária da OPAS/OMS, Pavarino Filho, discorre no capítulo Advocacy com foco em segurança no trânsito: conceito e prática sobre a origem e o conceito da palavra e sua diferença com o lobby.

Advocacy são ações voltadas a sensibilizar e reforçar a consciência sobre determinado tema com o objetivo de influenciar legislações, programas e políticas públicas.

Em seguida, discute como as ONGS e os movimentos podem utilizar, apresentando os princípios norteadores e as estratégias de ação que podem ser aplicadas no contexto do trânsito.

A quarta parte do livro é dedicada a avaliação, métodos e medidas psicológicas. A seleção de testes psicológicos utilizados na avaliação pericial de (futuros) motoristas é o tema do capítulo escrito por Cristo e Rueda.

Os autores descrevem a relação entre a escolha dos instrumentos e os objetivos da avaliação pericial, para tanto, é necessário que o profissional tenha conhecimento sobre os processos psicológicos, a legislação relativa ao trabalho pericial e os testes psicológicos.

A seguir apresentam o objetivo da avaliação psicológica pericial, enfocando o ambiente normativo, social, físico, corporal e psíquico.

Após como ocorre a seleção dos testes psicológicos aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia e o papel do SATEPSI nesta escolha, assim como os critérios básicos para a seleção de testes psicológicos fundamentados em aspectos técnicos e científicos.

Conclui o capítulo com sugestões de formas de atualização profissional em tópicos relacionados à seleção de testes psicológicos.

Cristo, no capítulo 12, aborda sobre os critérios de qualidade do laudo psicológico. O autor apresenta as diferenças entre laudo psicológico e outros tipos de informes, sintetiza as informações do Conselho Federal de Psicologia.

Tece comentários de um estudo realizado durante a vigência da Resolução do CONTRAN n. 080/1998 e sugere que o profissional perito tenha sempre acessível as normativas atualizadas à mão. A seguir, aponta o rigor na elaboração do laudo e descreve uma pesquisa realizada em 2006, em que o CFP fiscalizou clínicas e psicólogos peritos em trânsito em 20 estados brasileiros.

A elaboração de laudos requer habilidades complexas, como habilidade teórica, habilidade técnica e habilidade comunicacional. O autor ainda discorre sobre as condições de trabalho e a qualidade do laudo psicológico, ao concluir, enfatiza sobre a ética, a formação e a pesquisa para a produção de laudos psicológicos com qualidade.

Günter, no capítulo 13, descreve sobre Métodos de pesquisa em Psicologia do Trânsito. A psicologia do trânsito estuda diferentes atores – o pedestre, o ciclista, o motociclista e o motorista – independente do meio de locomoção ou do contexto físico e das vias, pois a psicologia do trânsito é uma atividade social.

Na pesquisa sobre o comportamento humano, o autor descreve as opções entre as diferentes abordagens de pesquisa, os cuidados básicos ao pesquisar o comportamento humano e cita quatro exemplos de abordagem em pesquisas empíricas.

Conclui que o cuidado que se aplica a qualquer tipo de pesquisa e que desenvolver estudos ampliam o conhecimento e fornecem dados sólidos para intervenção com qualidade.

No penúltimo capítulo, os autores Neto, Günter e Porter escrevem sobre Adaptação de medidas psicológicas: um exemplo prático no contexto de transporte. Delineiam sobre como utilizar instrumentos psicológicos previamente desenvolvidos por outros pesquisadores e quando estes instrumentos são em idiomas e culturas diferentes faz-se necessário uma tradução e adaptação.

Assim, transcrevem o passo a passo de um relato de experiência de tradução e adaptação de um instrumento que mensura a percepção dos usuários sobre o sistema de ônibus em dois países (Brasil e Estados Unidos).

O primeiro passo é o planejamento da pesquisa, depois a adaptação do instrumento para as culturas estadunidense e brasileira e concluem que os estudos desta natureza contribuem para a compreensão de fenômenos socioculturais tanto para o respondente como para o pesquisador.

Para encerrar a obra, Günter escreve como elaborar um relato de pesquisa. O autor oferece subsídios de como publicar uma pesquisa como “relato de pesquisa”. Apresenta a estrutura lógica de um relato de pesquisa (introdução, método, resultados e discussão), a relação entre as partes de um relato de pesquisa e a dialética entre essas partes.

Oferece de forma pormenorizada as partes de um relato de pesquisa e completa afirmando que só se consegue publicar tentando.

Finalizo essa resenha parabenizando o organizador e os autores deste livro pela forma de escrita, com linguagem motivadora e didática e por oferecerem, ao final de cada capítulo, questões para discussão e leituras recomendadas.

Esta obra deve ser leitura obrigatória para todos os profissionais de psicologia que atuam na área de trânsito e transporte.

Marlene Alves Silva

Doutora e Mestre em avaliação psicológica pela Universidade São Francisco – Itatiba – São Paulo, Diretora Científica da Associação Bahiana de Clínicas de Trânsito – ABCTRAN, Psicóloga Perita credenciada pelo DETRAN- BA, professora de pós graduação no curso de Avaliação Psicológica e Psicologia do Trânsito na UNIGRAD – Pós Gradução e extensão nas unidades de Itabuna e Vitória da Conquista e psicóloga da empresa Orient Consultoria: Produtos e Soluções em Psicologia em Vitória da Conquista – Bahia.

 

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