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Aprender a ler e escrever: Bases Cognitivas e Práticas Pedagógicas – Volume I | Resenha

por Sonia Regina Baptista Cepellos, psicóloga na Ômega Livraria & Psicologia Integrada Eireli.

Aprender a ler e escrever: bases cognitivas e práticas pedagógicasO Volume I da trilogia A criança, a leitura e a escrita, assim como os outros dois volumes, busca servir como apoio à formação de professores, seja inicial ou continuada, bem como dar subsídios aos cursos de graduação e pós-graduação relacionados a temas como Psicolinguística e Psicologia Cognitiva da Leitura, destacados nos cursos de Psicologia e Pedagogia.

Neste primeiro volume, destacam-se os processos e habilidades cognitivas linguísticas básicas envolvidas na aprendizagem inicial da língua escrita, distribuídos em 12 capítulos.

No Capítulo 1, “O Cérebro que aprende a ler”, Jane Correa e Jainne Martins Ferreira trazem o conceito de neuroplasticidade e sua relação com o aprendizado da leitura, que é a habilidade do cérebro humano de modificar-se, seja por resposta a mudanças fisiológicas ou no ambiente, não apenas a um estímulo físico, mas também em decorrência de experiências psicossociais dos indivíduos, fazendo uma breve reflexão sobre o sentimento de aprovação e satisfação para as crianças que aprendem a ler, sentimento este que se contrapõe aos daquelas que apresentam dificuldade, revelando baixa autoestima, além de comportamentos agressivos e certa recusa em aprender.

As autoras discorrem sobre as áreas cerebrais fundamentais para a leitura, trazendo à luz a importância do desenvolvimento da linguagem oral para a aprendizagem da leitura e da escrita e, por fim, descrevendo as transformações que a aprendizagem da leitura traz ao cérebro, descrevendo áreas neurológicas importantes e fundamentais para aquisição da leitura.

No Capítulo 2, “Para um olhar positivo sobre o papel da família na literacia familiar”, as autoras Fernanda Leopoldina Viana, Joana Cruz e Iolanda Ribeiro nos envolvem com a literacia familiar, definida como a “capacidade de ler e escrever”, e/ou a “capacidade para perceber e interpretar o que é lido”, que engloba um conjunto de práticas que os pais, as crianças e outros membros da família realizam, reconhecendo o quanto a participação da família contribui para essa aquisição.

A valorização da literacia e suas práticas mantém estreito relacionamento com o fato de crianças viverem cercadas de um contexto em que a leitura e a escrita se fazem presentes, o que as conduzirá à construção de conhecimentos do que é ler e escrever, causando curiosidade e vontade de ler, não apenas livros, mas todo o universo impresso.

O capítulo 3, “Letramento emergente, educação infantil e aprendizagem inicial da leitura e da escrita”, de Danielle Andrade S. Castro, Regiane Kosmoski Silvestre Gatto e Sylvia Domingos Barrera, aborda o letramento emergente com base em suas relações com os conceitos de letramento e alfabetização, além de trazer à luz a contribuição dessa abordagem para a educação pré-escolar e a aprendizagem inicial da leitura e da escrita.

Em outro momento, as autoras fazem uma breve apresentação da estrutura do Programa Decole (Desenvolvendo competências de letramento emergente), que tem como objetivo geral “proporcionar aos educadores que trabalham com crianças pré-escolares um conjunto estruturado de atividades que contribuam para o desenvolvimento das competências de letramento emergente, termo utilizado para se referir a um conjunto de capacidades, conhecimentos e atitudes que se constituem como precursores do desenvolvimento da leitura e da escrita.”

Chegando ao Capítulo 4, “O que sabem as crianças sobre textos antes de aprenderem a ler e a escrever?”, a autora Alina Galvão Spinillo discute acerca do conhecimento sobre textos apresentados por crianças ainda não alfabetizadas, fornecendo exemplos que ilustram esse conhecimento com base em resultados de pesquisas realizadas, além de ressaltar o papel das características e propriedades dos textos sobre esse conhecimento.

Sabe-se que o conhecimento de crianças sobre textos é investigado segundo a compreensão leitora e a composição escrita, geralmente em crianças que apresentam algum domínio sobre ambas, entretanto, neste capítulo será discutido esse mesmo conhecimento em crianças que ainda não sabem ler nem escrever.

Antonio Roazzi, Alena Nobre e Luciana Hodges abordam, no Capítulo 5, intitulado “A interferência do realismo nominal a aquisição e compreensão dos sistemas motivacionais”, a importância do desenvolvimento da consciência metalinguística e seu fator relevante na aquisição da escrita e fazem uma análise sobre como a incompreensão da natureza arbitrária da língua se revela um empecilho inicial à aquisição dos sistemas notacionais.

Para finalizar, os autores referem implicações educacionais e procedimentos didáticos importantes na compreensão da arbitrariedade da língua.

No capítulo 6, “O conhecimento do nome das letras e o aprendizado inicial da leitura e da escrita”, Cláudia Nascimento Guaraldo Justi e Tatiana Cury Pollo apresentam algumas implicações para a prática educacional identificadas nos resultados obtidos em pesquisas, fazendo uma revisão de estudos empíricos sobre a relação entre o conhecimento do nome das letras e a aprendizagem da leitura e da escrita, revelando um foco sensível ao fator conhecimento do nome das letras e os fatores subjacentes a seu desenvolvimento.

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Em “Consciência Fonológica: como a incluir nas práticas diárias de sala de aula”, título do Capítulo 7 da obra, Janete Teixeira de Lyra e Zena Eisenberg discorrem sobre consciência fonológica em seus diversos aspectos, como rimas, aliterações, sílabas, palavras e fonêmica, com base em exemplos claros. As autoras refletem, ainda, sobre a relação entre a consciência fonológica e a aprendizagem da leitura e da escrita e sobre o papel da escola.

Apresentar as bases cognitivas e linguísticas da aprendizagem da leitura e escrita, descrever modelos cognitivos de aprendizagem da língua escrita e apontar e discutir as habilidades favorecedoras da aprendizagem da leitura e escrita são a base do Capítulo 8, “Como se aprende a ler e a escrever: a compreensão do princípio alfabético”, escrito por Sylvia Domingos Barrera e Maria José dos Santos, que finalizam o capítulo apresentando propostas pedagógicas a serem utilizadas no desenvolvimento das habilidades e conhecimentos facilitadores da compreensão do princípio alfabético.

O Capítulo 9, “Escrita: não basta transcrever a fala, é preciso ortografar”, de Maria José dos Santos, Ana Luíza Navas e Fraulein Vidigal de Paula, trata da constituição da Língua Portuguesa escrita e sua ortografia, além de trazer uma análise linguística das relações entre sons e letras na escrita do Português Brasileiro.

Também descrevem a classificação dos erros ortográficos encontrados na escrita de alunos brasileiros, além de discutir fatores relacionados à aprendizagem da ortografia do Português Brasileiro sob o efeito da escolarização, hábitos de leitura, o processamento da informação visual, o conhecimento das normas ortográficas e suas considerações.

Para ilustrar, sugestões de atividades para trabalhar regularidades ortográficas diretas, ortográficas contextuais e ortográficas morfossintáticas finalizam o texto, sendo complementado por um breve glossário.

Em “Pensando sobre os morfemas: o impacto do treino de consciência morfológica na aprendizagem da ortografia”, Capítulo 10 da obra, Silvia Brilhante Guimarães introduz o conceito de consciência morfológica e sua influência na aprendizagem da ortografia, revelando essa habilidade do indivíduo de identificar e compreender as menores unidades linguísticas de significado que integram uma palavra.

Completando o tema, a autora apresenta resultados de intervenções em consciência morfológica, bem como estratégias didáticas de intervenção favoráveis ao desenvolvimento da consciência morfológica.

No Capítulo 11, “Fluência de leitura: o que é? A que serve? Como a desenvolver? O conceito de fluência de leitura e sua importância”, Jane Correa e Giuliana Ramires descrevem os desafios encontrados no processo da leitura, bem como sua compreensão e as habilidades necessárias para tal desempenho.

Finalizando esta obra de grande valor e potencial, o que são funções executivas, como elas contribuem para a aprendizagem da linguagem escrita e práticas pedagógicas favoráveis ao bom desenvolvimento destas nos alunos são descritas de maneira clara e fiel por Giovanna Beatriz Kalva Medina e Sandra Regina Kirchner Guimarães no Capítulo 12, “A importância das funções executivas para a aprendizagem da linguagem escrita”.

 

Livro Aprender a ler e escrever: bases cognitivas e práticas pedagógicasAprender a ler e escrever: bases cognitivas e práticas pedagógicas

Tema: Aprendizagem
ISBN: 978-85-7585-948-3
Tamanho: 16 x 23 cm
Paginas: 272
Edição: 1ª Edição
Ano de Publicação: 2019

 

Este é o primeiro volume da trilogia A criança, a Leitura e a Escrita. Este livro aborda em linguagem clara, porém baseada em estudos recentes na área da Psicologia Cognitiva da Leitura, o desenvolvimento das competências cognitivas e linguísticas necessárias para a alfabetização.

De modo particular, o livro é rico em sugestões de atividades lúdicas e didáticas voltadas para o desenvolvimento dessas competências, tanto na pré-escola como nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

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