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Formas Lúdicas de Investigação em Psicologia
Dicas de Leitura

Formas Lúdicas de Investigação em Psicologia

Formas Lúdicas de Investigação em Psicologia, de Walter Trinca.

por Carlos Eduardo Bovenzo Filho

 

Livro formas lúdicas de investigação em psicologiaO livro Formas de Investigação em Psicologia foi publicado pela Vetor Editora em 2020. Por meio de um amplo conjunto de pesquisas envolvendo o Procedimento Desenhos-Estória e suas derivações, Walter Trinca, enquanto organizador, proporciona ao leitor, de forma clara, a amplitude de aplicabilidade e análise da referida técnica em diferentes contextos. A obra é dividida em quatro partes, que são subdivididas em capítulos.

Na primeira parte da obra, intitulada Visão geral e atualidade dos procedimentos, encontram-se dois capítulos. No primeiro deles – Apresentação e Aplicação, Trinca (2020) descreve as duas técnicas: Procedimento Desenhos Estória (D-E) e Procedimento de Desenhos da Família com Estória (DF-E). De ambas, são expostas informações sobre a aplicação, histórico de desenvolvimento, fundamentação teórica que as respalda e a avaliação. Por fim, o capítulo traz, também, breves informações sobre o Procedimento de Desenhos Estória com tema [D-E (T)].

No capítulo dois, Desenvolvimentos e Expansões, de Ana Maria Trapé Trinca e Marcionila Brito, há um aprofundamento acerca da importância e amplitude do uso dos procedimentos D-E, DF-E e D-E (T), deixando evidente a diversidade das áreas e contextos da Psicologia, nos quais tais técnicas podem ser empregadas, percorrendo desde o campo clínico ao acadêmico.

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A Segunda parte é constituída por cinco capítulos. O primeiro, intitulado O Procedimento de Desenhos-Estórias em face das vivências emocionais de uma adolescente, mostra a aplicabilidade do D-E no campo clínico. Maria Martão e Cristina Prestes discorrem sobre a eficiência do D-E na clínica e, posteriormente, expõem um caso clínico e seus respectivos conteúdos (desenhos, estórias e a evolução terapêutica).

 

Capítulo II

No segundo capítulo desta parte, Procedimento de Desenhos-Estórias: Diferentes formas de interpretação, de Leila Tardivo, há a breve elucidação sobre a técnica em questão e as diferentes possibilidades de compreensões teóricas acerca das produções (desenhos e estórias) por meio da Fenomenologia, Psicologia Analítica e Psicanálise.

O capítulo intitulado O Procedimento de Desenhos-Estórias e os Entrelaçamentos do indivíduo e do conjugal, de Kelma de Almeida e Maria Lucia Hargreaves, traz uma breve, porém, clara elucidação psicanalítica acerca do entrelaçamento de subjetividades disposto nos casais e famílias e, posterior a isso, demonstra com maestria, por meio de um estudo de caso, a aplicabilidade do Procedimento D-E nos contextos supracitados.

No capítulo O D-E e a Intervenção Terapêutica: Um passo além do Psicodiagnóstico, Ana Maria Trapé Trinca evidencia a amplitude pragmática da referida técnica que, além de recurso subsidiário no processo de investigação psíquica compreensiva, pode servir como meio interventivo, i.e., na modalidade psicoterapêutica (além do psicodiagnóstico interventivo). Ou seja, o Procedimento de Desenhos-Estórias é um instrumento que possibilita resultados ricos em atendimentos por vezes breves, sem possibilidade de se estabelecer um setting, dir-se-ia, “convencional”, e também em diferentes contextos, desde a psicoterapia infantil, crianças hospitalizadas e, inclusive, psicoterapia em adultos.

 

Enfrentando desafios

Em Enfrentando Desafios, Walter Trinca elucida diferentes questionamentos oriundos da técnica do D-E, dado que “Ao longo de sua existência, o Procedimento de Desenhos-Estórias passou por inúmeras dificuldades. Foram apresentadas muitas objeções e dúvidas a seu respeito (…)” (Trinca, 2020, p. 119).

Com isso, o autor foca em respostas que abarcam: o fazer profissional, a psicodinâmica do sujeito que passa pelo D-E (a nível individual) e, também, como já abordado em um dos capítulos de sua obra Procedimento de Desenhos-Estórias: formas derivadas, desenvolvimentos e expansões (Trinca, 2013), a possibilidade de o D-E captar a problemática inconsciente comum a determinados grupos.

Além disso, Trinca (2020) discorre sobre pontos voltados à técnica do D-E em si, explicando o motivo de esta não se tornar um teste psicológico, mostrando assim que o Procedimento de Desenhos-Estórias não se trata de um produto da ciência clássica.

 

III parte

A Terceira Parte da obra, Procedimento de Desenhos de Família com Estórias é composta por três capítulos. O primeiro deles, O uso do DF-E na clínica: a estória de Ana Banana e sua família bacana, de Elisa Vilela, mostra ao leitor, por meio de um estudo clínico, o uso do DF-E em um caso de uma criança com 6 anos de idade, possibilitando a mobilização psicodinâmica, bem como de conteúdos voltados à esfera familiar.

Mantendo, ainda, um foco no DF-E, o capítulo seguinte – Encontros e Desencontros nas Relações de Casal e Família: Criando Elos com o DF-E, de Celia Maria de Lima – discorre sobre aspectos inerentes à dinâmica familiar e de casal, sobretudo acerca da importância da transgeracionalidade para o conhecimento desta, dado que muitas vivências podem não possuir representação psíquica e, então, virem à tona em um novo momento, no qual se estabelece a relação conjugal ou familiar. Por fim, há a ilustração de caso, que clarifica ao leitor a aplicabilidade do DF-E no referido contexto.

O próximo capítulo, O Procedimento de Desenhos de Família com Estórias no Psicodiagnóstico Interventivo Familiar, de Ana Carolina de Pina e Valeria Barbieri, evidencia breve esclarecimentos sobre o Psicodiagnóstico interventivo, bem como o uso do DF-E enquanto técnica subsidiária e mediadora do processo e do contato “paciente x psicólogo”. Por fim, há a ilustração de caso, com o propósito de, ipsis literis, “averiguar as potencialidades e os limites do uso do Procedimento de Desenhos de Família com Estórias (…)” (Pina & Barbieri, 2020, p. 165) quando se trata do Psicodiagnóstico interventivo e de orientação psicanalítica no atendimento grupal familiar.

 

IV parte

A Quarta Parte, Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema, é dividida em dois momentos. No primeiro deles, em Investigação de Representações Sociais, Tania Aiello-Vaisberg traz considerações sobre as representações sociais enquanto campo transdisciplinar, isto é, que abarca diferentes áreas dos saberes, cada qual com sua contribuição.

Posteriormente, enovelando o campo psicológico, a autora coloca em evidência a pesquisa das representações sociais envolvendo a psicologia projetiva e a metodologia psicanalítica que, invariavelmente, trazem como um dos instrumentos de investigação o Procedimento de Desenhos-Estórias com Tema (DE-T), que além de subsídio clínico, promove a ampla coleta de dados para fins de pesquisa, inclusive no contexto da subjetividade grupal.

O segundo momento desta Quarta Parte é demarcado pelas Reflexões, Discussões e Conclusões, que aborda três subcapítulos. No primeiro deles, D-E, D-E (T) e DF-E: Estado da Arte, Manoel Antônio dos Santos e Rodrigo Sanches Peres deixam claro o quão ampla se faz a aplicação das referidas técnicas, fundamentando, por meio de estudos, a variabilidade de contextos nos quais houve o emprego do Procedimento de Desenhos-Estórias e suas derivações. Isso corrobora a ampla difusão e crescência constante do D-E, D-E (T) e DF-E enquanto recursos subsidiários nos diferentes campos do fazer psi, seja clínico, acadêmico ou social.

Em Memórias de um Percurso, o leitor encontrará um texto extraído da palestra ministrada na 15ª Jornada APOIAR, no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP), por Gilberto Safra. O tema foi “O Procedimento Desenhos-Estórias na Clínica e na Pesquisa”. O autor tece comentários afáveis acerca dos trabalhos de Walter Trinca para o ensino e prática em psicologia.

 

Formas Lúdicas de Investigação em Psicologia: Último capítulo

No último capítulo da obra, Reflexões sobre D-E, conteúdo também extraído da palestra supracitada, Walter Trinca mostra ao leitor que – embora sejam feitas comparações do D-E com grandes instrumentos, e.g., Teste de Apercepção Temática e Teste de Apercepção Temática Infantil (TAT e CAT-A) – o D-E se trata de um grande recurso com suas particularidades traduzidas em um valoroso potencial capaz de mobilizar, em termos psicodinâmicos, conteúdos profundos e, ao mesmo tempo, mediar o diálogo entre “paciente/cliente x psicólogo”, seja verbal ou não.

Por fim, conforme discorrido inicialmente, Walter Trinca traz estudos diversificados sobre o Procedimento de Desenhos-Estórias e suas derivações. Isso torna a leitura desse material indispensável para o profissional que busca, com avidez, o constante aprimoramento técnico no que diz respeito ao processo de avaliação psicológica, sobretudo, no enriquecimento das práticas de psicodiagnóstico compreensivo (Trinca, 2010) e, inclusive, recursos interventivos em processos psicoterapêuticos.

 

Referências

Trinca, W. (2010). O Pensamento Clínico em diagnóstico da personalidade. São Paulo, SP: Vetor.

Trinca, W. (Org.). (2013). Procedimento de Desenhos-Estórias: formas derivadas, desenvolvimentos e expansões. São Paulo, SP: Vetor.

Trinca W. (Org.). (2020). Formas Lúdicas de Investigação em Psicologia. São Paulo, SP: Vetor.

Carlos Eduardo Bovenzo Filho

Psicólogo pela Universidade Universus Veritas – UNG (CRP 06/148842). Técnico Pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Violência – Psicologia Jurídica e Núcleo de Estudos em Psicologia (NUPEV-PJ e NEPSI – UNG). Colaborador do Departamento de Produtos e Pesquisa da Vetor Editora.

 

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